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sábado, 8 de agosto de 2009

A lenda de Obá

Lendas de Ewa

Lendas de Yemanja

EGUNS NO CANDOMBLÉ


Eguns no Candomblé

Os negros iorubanos originários da Nigéria trouxeram para o Brasil o culto dos seus ancestrais chamados Eguns ou Egunguns. Em Itaparica (BA), duas sociedades perpetuam essa tradição religiosa.

Os cultos de origem africana chegaram ao Brasil juntamente com os escravos. Os iorubanos - um dos grupos étnicos da Nigéria, resultado de vários agrupamentos tribais, tais como Keto, Oyó, Itexá, Ifan e Ifé, de forte tradição, principalmente religiosa - nos enriqueceram com o culto de divindades denominadas genericamente de orixás.(1 - Por motivos gráficos e para facilitar a leitura, os termos em língua yorubá foram aportuguesados. Ex.: orisá = orixá.)

Esses negros iorubanos não apenas adoram e cultuam suas divindades, mas também seus ancestrais, principalmente os masculinos. A morte não é o ponto final da vida para o iorubano, pois ele acredita na reencarnação (àtúnwa), ou seja, a pessoa renasce no mesmo seio familiar ao qual pertencia; ela revive em um dos seus descendentes. A reencarnação acontece para ambos os sexos; é o fato terrível e angustiante para eles não reencarnar.

Os mortos do sexo feminino recebem o nome de Iami Agbá (minha mãe anciã), mas não são cultuados individualmente. Sua energia como ancestral é aglutinada de forma coletiva e representada por Iami Oxorongá, chamada também de Iá Nlá, a grande mãe. Esta imensa massa energética que representa o poder de ancestralidade coletiva feminina é cultuada pelas "Sociedades Geledê", compostas exclusivamente por mulheres, e somente elas detêm e manipulam este perigoso poder. O medo da ira de Iami nas comunidades é tão grande que, nos festivais anuais na Nigéria em louvor ao poder feminino ancestral, os homens se vestem de mulher e usam máscaras com características femininas, dançam para acalmar a ira e manter, entre outras coisas, a harmonia entre o poder masculino e o feminino.

Além da Sociedade Geledê, existe também na Nigéria a Sociedade Oro. Este é o nome dado ao culto coletivo dos mortos masculinos quando não individualizados. Oro é uma divindade tal qual Iami Oxorongá, sendo considerado o representante geral dos antepassados masculinos e cultuado somente por homens. Tanto Iami quanto Oro são manifestações de culto aos mortos. São invisíveis e representam a coletividade, mas o poder de Iami é maior e, portanto, mais controlado, inclusive, pela Sociedade Oro.

Outra forma, e mais importante de culto aos ancestrais masculinos é elaborada pelas "Sociedades Egungum". Estas têm como finalidade celebrar ritos a homens que foram figuras destacadas em suas sociedades ou comunidades quando vivos, para que eles continuem presentes entre seus descendentes de forma privilegiada, mantendo na morte a sua individualidade. Esse mortos surgem de forma visível mas camuflada, a verdadeira resposta religiosa da vida pós-morte, denominada Egum ou Egungum. Somente os mortos do sexo masculino fazem aparições, pois só os homens possuem ou mantém a individualidade; às mulheres é negado este privilégio, assim como o de participar diretamente do culto.

Esses Eguns são cultuados de forma adequada e específica por sua sociedade, em locais e templos com sacerdotes diferentes dos dos orixás. Embora todos os sistemas de sociedade que conhecemos sejam diferentes, o conjunto forma uma só religião: a iorubana.

No Brasil existem duas dessas sociedades de Egungum, cujo tronco comum remonta ao tempo da escravatura: Ilê Agboulá, a mais antiga, em Ponta de Areia, e uma mais recente e ramificação da primeira, o Ilê Oyá, ambas em Itaparica, Bahia..

O Egum é a morte que volta à terra em forma espiritual e visível aos olhos dos vivos. Ele "nasce" através de ritos que sua comunidade elabora e pelas mãos dos Ojé (sacerdotes) munidos de um instrumento invocatório, um bastão chamado ixã, que, quando tocado na terra por três vezes e acompanhado de palavras e gestos rituais, faz com que a "morte se torne vida", e o Egungum ancestral individualizado está de novo "vivo".

A aparição dos Eguns é cercada de total mistério, diferente do culto aos orixás, em que o transe acontece durante as cerimônias públicas, perante olhares profanos, fiéis e iniciados. O Egungum simplesmente surge no salão, causando impacto visual e usando a surpresa como rito. Apresenta-se com uma forma corporal humana totalmente recoberta por uma roupa de tiras multicoloridas, que caem da parte superior da cabeça formando uma grande massa de panos, da qual não se vê nenhum vestígio do que é ou de quem está sob a roupa. Fala com uma voz gutural inumana, rouca, ou às vezes aguda, metálica e estridente - característica de Egum, chamada de séègí ou sé, e que está relacionada com a voz do macaco marrom, chamado ijimerê na Nigéria.

As tradições religiosas dizem que sob a roupa está somente a energia do ancestral; outras correntes já afirmam estar sob os panos algum mariwo (iniciado no culto de Egum) sob transe mediúnico. Mas, contradizendo a lei do culto, os mariwo não podem cair em transe, de qualquer tipo que seja. Pelo sim ou pelo não, Egum está entre os vivos, e não se pode negar sua presença, energética ou mediúnica, pois as roupas ali estão e isto é Egum.

A roupa do Egum - chamada de eku na Nigéria ou opá na Bahia -, ou o Egungum propriamente dito, é altamente sacra ou sacrossanta e, por dogma, nenhum humano pode tocá-la. Todos os mariwo usam o ixã para controlar a "morte", ali representada pelos Eguns. Eles e a assistência não devem tocar-se, pois, como é dito nas falas populares dessas comunidades, a pessoa que for tocada por Egum se tornará um "assombrado", e o perigo a rondará. Ela então deverá passar por vários ritos de purificação para afastar os perigos de doença ou, talvez, a própria morte.

Ora, o Egum é a materialização da morte sob as tiras de pano, e o contato, ainda que um simples esbarrão nessas tiras, é prejudicial. E mesmo os mais qualificados sacerdotes - como os ojé atokun, que invocam, guiam e zelam por um ou mais Eguns - desempenham todas essas atribuições substituindo as mãos pelo ixã.

Os Egum-Agbá (ancião), também chamados de Babá-Egum (pai), são Eguns que já tiveram os seus ritos completos e permitem, por isso, que suas roupas sejam mais completas e suas vozes sejam liberadas para que eles possam conversar com os vivos. Os Apaaraká são Eguns mudos e suas roupas são as mais simples: não têm tiras e parecem um quadro de pano com duas telas, uma na frente e outra atrás. Esses Eguns ainda estão em processo de elaboração para alcançar o status de Babá; são traquinos e imprevisíveis, assustam e causam terror ao povo.

O eku dos Babá são divididos em três partes: o abalá, que é uma armação quadrada ou redonda, como se fosse um chapéu que cobre totalmente a extremidade superior do Babá, e da qual caem várias tiras de panos coloridas, formando uma espécie de franjas ao seu redor; o kafô, uma túnica de mangas que acabam em luvas, e pernas que acabam igualmente em sapatos; e o banté, que é uma tira de pano especial presa no kafô e individualmente decorada e que identifica o Babá.

O banté, que foi previamente preparado e impregnado de axé (força, poder, energia transmissível e acumulável), é usado pelo Babá quando está falando e abençoando os fiéis. Ele sacode na direção da pessoa e esta faz gestos com as mãos que simulam o ato de pegar algo, no caso o axé, e incorporá-lo. Ao contrário do toque na roupa, este ato é altamente benéfico. Na Nigéria, os Agbá-Egum portam o mesmo tipo de roupa, mas com alguns apetrechos adicionais: uns usam sobre o alabá mascaras esculpidas em madeira chamadas erê egungum; outros, entre os alabá e o kafô, usam peles de animais; alguns Babá carregam na mão o opá iku e, às vezes, o ixã. Nestes casos, a ira dos Babás é representada por esses instrumentos litúrgicos.

Existem várias qualificações de Egum, como Babá e Apaaraká, conforme sus ritos, e entre os Agbá, conforme suas roupas, paramentos e maneira de se comportarem. As classificações, em verdade, são extensas.

Nas festas de Egungum, em Itaparica, o salão público não tem janelas, e, logo após os fiéis entrarem, a porta principal é fechada e somente aberta no final da cerimônia, quando o dia já está clareando. Os Eguns entram no salão através de uma porta secundária e exclusiva, único local de união com o mundo externo.

Os ancestrais são invocados e eles rondam os espaços físicos do terreiro. Vários amuxã (iniciados que portam o ixã) funcionam como guardas espalhados pelo terreiro e nos seus limites, para evitar que alguns Babá ou os perigosos Apaaraká que escapem aos olhos atentos dos ojés saiam do espaço delimitado e invadam as redondezas não protegidas.

Os Eguns são invocados numa outra construção sacra, perto mas separada do grande salão, chamada de ilê awo (casa do segredo), na Bahia, e igbo igbalé (bosque da floresta), na Nigéria. O ilê awo é dividido em uma ante-sala, onde somente os ojé podem entrar, e o lèsànyin ou ojê agbá entram.

Balé é o local onde estão os idiegungum, os assentamentos - estes são elementos litúrgicos que, associados, individualizam e identificam o Egum ali cultuado - , e o ojubô-babá, que é um buraco feito diretamente na terra, rodeado por vários ixã, os quais, de pé, delimitam o local.

Nos ojubô são colocadas oferendas de alimentos e sacrifícios de animais para o Egum a ser cultuado ou invocado. No ilê awo também está o assentamento da divindade Oyá na qualidade de Igbalé, ou seja, Oyá Igbalé - a única divindade feminina venerada e cultuada, simultaneamente, pelos adeptos e pelos próprios Eguns..

No balé os ojê atokun vão invocar o Egum escolhido diretamente no assentamento, e é neste local que o awo (segredo) - o poder e o axé de Egum - nasce através do conjunto ojê-ixã/idi-ojubô. A roupa é preenchida e Egum se torna visível aos olhos humanos.

Após saírem do ilê awo, os Eguns são conduzidos pelos amuxã até a porta secundária do salão, entrando no local onde os fiéis os esperam, causando espanto e admiração, pois eles ali chegaram levados pelas vozes dos ojê, pelo som dos amuxã, brandindo os ixã pelo chão e aos gritos de saudação e repiques dos tambores dos alabê (tocadores e cantadores de Egum). O clima é realmente perfeito.

O espaço físico do salão é dividido entre sacro e profano. O sacro é a parte onde estão os tambores e seus alabê e várias cadeiras especiais previamente preparadas e escolhidas, nas quais os Eguns, após dançarem e cantarem, descansam por alguns momentos na companhia dos outros, sentados ou andando, mas sempre unidos, o maior tempo possível, com sua comunidade. Este é o objetivo principal do culto: unir os vivos com os mortos.

Nesta parte sacra, mulheres não podem entrar nem tocar nas cadeiras, pois o culto é totalmente restrito aos homens. Mas existem raras e privilegiadas mulheres que são exceção, como se fosse a própria Oyá; elas são geralmente iniciadas no culto dos orixás e possuem simultaneamente oiê (posto e cargo hierárquico) no culto de Egum - estas posições de grande relevância causam inveja à comunidade feminina de fiéis. São estas mulheres que zelam pelo culto, fora dos mistérios, confeccionando as roupas, mantendo a ordem no salão, respondendo a todos os cânticos ou puxando alguns especiais, que somente elas têm o direito de cantar para os Babá. Antes de iniciar os rituais para Egum, elas fazem uma roda para dançar e cantar em louvor aos orixás; após esta saudação elas permanecem sentadas junto com as outras mulheres. Elas funcionam como elo de ligação entre os atokun e os Eguns ao transmitir suas mensagens aos fiéis. Elas conhecem todos os Babá, seu jeito e suas manias, e sabem como agradá-los(ver quadro: oiê femininos).

Este espaço sagrado é o mundo do Egum nos momentos de encontro com seus descendentes. Assistência está separada deste mundo pelos ixã que os amuxã colocam estrategicamente no chão, fazendo assim uma divisão simbólica e ritual dos espaços, separando a "morte" da "vida". É através do ixã que se evita o contato com o Egun: ele respeita totalmente o preceito, é o instrumento que o invoca e o controla. às vezes, os mariwo são obrigados a segurar o Egum com o ixã no seu peito, tal é a volúpia e a tendência natural de ele tentar ir ao encontro dos vivos, sendo preciso, vez ou outra, o próprio atokun ter de intervir rápida e rispidamente, pois é o ojê que por ele zela e o invoca, pelo qual ele tem grande respeito.

O espaço profano é dividido em dois lados: à esquerda ficam as mulheres e crianças e à direita, os homens. Após Babá entrar no salão, ele começa a cantar seus cânticos preferidos, porque cada Egum em vida pertencia a um determinado orixá. Como diz a religião, toda pessoa tem seu próprio orixá e esta característica é mantida pelo Egum. Por exemplo: se alguém em vida pertencia a Xangô, quando morto e vindo com Egum, ele terá em suas vestes as características de Xangô, puxando pelas cores vermelha e branca. Portará um oxê (machado de lâmina dupla), que é sua insígnia; pedirá aos alabês que toquem o alujá, que também é o ritmo preferido de Xangô, e dançará ao som dos tambores e das palmas entusiastas e excitantemente marcadas pelo oiê femininos, que também responderão aos cânticos e exigirão a mesma animação das outras pessoas ali presentes.

Babá também dançará e cantará suas próprias músicas, após ter louvado a todos e ser bastante reverenciado. Ele conversará com os fiéis, falará em um possível iorubá arcaico e seu atokun funcionará como tradutor. Babá-Egum começará perguntando pelos seus fiéis mais freqüentes, principalmente pelos oiê femininos; depois, pelos outros e finalmente será apresentado às pessoas que ali chegaram pela primeira vez. Babá estará orientando, abençoando e punindo, se necessário, fazendo o papél de um verdadeiro pai, presente entre seus descendentes para aconselhá-los e protegê-los, mantendo assim a moral disciplina comum às suas comunidades, funcionando como verdadeiro mediador dos costumes e das tradições religiosas e laicas.

Finalizando a conversa com os fiéis e já tendo visto seus filhos, Babá-Egum parte, a festa termina e a porta principal é aberta: o dia já amanheceu. Babá partiu, mas continuará protegendo e abençoando os que foram vê-lo.

Esta é uma breve descrição de Egungum, de uma festa e de sua sociedade, não detalhada, mas o suficiente para um primeiro e simples contato com este importante lado da religião. E também para se compreender a morte e a vida através das ancestralidades cultuadas nessas comunidades de Itaparica, como um reflexo da sobrevivência direta, cultural e religiosa dos iorubanos da Nigéria.




POVO NAGÔ

Povo Nagô

Estudando os cultos africanos, podemos concluir que a maioria das religiões afro-brasileiras são frutos de uma forte nação chamada de nagô, também denominada Yorubá. Na década de 1930, quando realmente o candomblé ganhava espaço na Bahia, dois grandes líderes religiosos se destacam abrindo caminhos para religião e a comunidade negra em geral, são eles a Yalorixá Eugênia Ana dos Santos, a famosa Aninha de Xangô do Axé Opô Afonjá e o Babalawo Martiniano Eliseu do Bonfim. Estes dois são atualmente os nomes mais lembrados na tradição oral dos terreiros da Bahia, eram reconhecidos como detentores legítimos do saber religioso; conheciam bem suas origens étnicas e culturais. Seres queridos, respeitados e temidos, e são lembrados com muita reverência nos terreiros de candomblé baianos.

A Yalorixá Eugênia dos Santos, Aninha, nascida em 13 de junho de 1869, era filha de Sérgio dos Santos chamado de aniió e Lucinha Maria da Conceição, chamada de Azambrió na linguagem grunce. Aninha dizia que sua seita era Nagô puro, filha de santo de Marcelina Obatossi, que por sua vez era "prima e filha de santo de Ia Nasso", uma das fundadoras da casa branca do engenho velho (o primeiro terreiro de candomblé da Bahia). Depois de certos desentendimentos, Aninha sai do engenho velho com seu pessoal e vai para uma roça no Rio vermelho onde funcionava a roça de Joaquim Vieira de Xangô (Oba Sãiyá), um dos maiores conhecedores da religião africana da época. Logo Aninha funda o seu terreiro, a casa de Xangô Afonjá, com seu amigo e irmão de santo tio Joaquim, que morreria pouco depois. Aninha passou a ter a ajuda confiável de Martiniano e dos conhecimentos da velha Maria Bada; e com sua boa vontade , seu espírito batalhador e ajuda de todos que a acompanhavam construiu seu ilê axé, chamado Opô Afonjá que deu origem a outras grandes personalidades do candomblé: Maria Bibiana do espírito Santo, Senhora de Oxum Muiwá que recebeu em 1952, o título honorífico de Iyanassô pelo Aláàfin Oyó, da Nigéria; Marcelina da Silva, Oba Tossi; Ondina Valéria Pimentel, filha do Balé Xangô José Teodoro Pimentel; Isolina A. de Araújo; Mestre Didi; entre outros grandes, também, posso citar o meu amigo pessoal Albino Daniel de Paula (Obaraim) filho de santo de mãe Senhora, que foi o único homem a se tornar Babalorixá no Opô Afonjá, e segue firme na prática dos antigos fundamentos. Maria Bibiana do Espírito Santo, Mãe Senhora, era descendente direta da família Asìpá (axipá), e foi depois de mãe Aninha, a mais importante yalorixá do Opô Afonjá.

Martiniano Eliseu do Bonfim foi um membro muito influente dos candomblés da Bahia, desde os fins do século XIX. Era filho de pais africanos, que haviam comprado sua própria liberdade; foi enviado pelo pai mais ou menos aos quatorze anos, a Lagos, Nigéria, e estudou as tradições religiosas africanas de seus antepassados. Voltou à Bahia, onde seus conhecimentos foram reconhecidos e o conduziu rapidamente a fama. Seu pai era da tribo egbá, foi trazido para o Brasil cerca de 1820 e liberto em 1942. O nome de sua mãe era Manjegbassa, era da nação Ijexá, e tinha as marcas da nação no rosto (marcas tribais dos iorubas). Seus pais lhe deram ao nascer o nome de Ojeladê. Martiniano era conhecido e chamado, nos terreiros, inclusive de culto aos eguns, por seu nome nagô Ojeladê. Ficou em lagos durante onze anos; para ele "África" era Lagos, eram os nagôs, os iorubas, sua nação. A ida à África era um importante elemento legitimador de prestigio e gerador de conhecimentos. Martiniano Eliseu do Bonfim e Eugênia Ana dos Santos eram grandes amigos, e é sabido que o Babalawo colaborou largamente com a Yalorixá, inclusive na estruturação do grupo dos Obás ou Ministros de Xangô, no Axé do Opô Afonjá; recebeu de Aninha o honroso título de Ajimudá, o que marcou o profundo respeito e consideração que a yalorixá tinha pelo sábio Babalawo e vice-versa. Estes fatos mostram que muitos rituais praticados hoje em terreiros baianos seguem algumas raízes, também, da nação Ijexá oriunda da Nigéria. Outro contemporâneo de Martiniano e Aninha foi Eduardo Ijexá, que também se destacou como grande Babalawo dos candomblés baianos; como se vê a nação Ijexá tem muitos frutos espalhados por solo brasileiro.

Aqui no Rio Grande do Sul, o maior destaque da nação Ijexá foi o sr. Manoel Antonio Matias, Manoelzinho de Xapanã, nascido em 17 de junho de 1896. O Orixá de Manoelzinho trouxe a maioria das rezas cantadas nos dias de hoje nos batuques. O pai Xapanã "chegava no mundo" e pegava o tambor para tocar e ensinar as rezas (cantigas de Orixás) para seus filhos de santo. Era conhecido como mão pelada, pelo poder de seus Feitiços, viajava muito, pois adquiriu fama em todo território sulino. Dizem os antigos sacerdotes que Manoelzinho fazia um breve muito poderoso que em seguida endireitava a vida das pessoas que usavam. até seu pai de santo, Paulino de Oxalá, temia o Xapanã Jubiteiú de Manoelzinho. Outra famosa Yalorixá da Nação Ijexá foi tia Antonia de Bará, filha do Pai Paulino de Oxalá Efan, porém, aprendeu todos os rituais de nação, no terreiro de Manoelzinho. Tia Antonia faleceu aos 96 anos de idade no dia primeiro de dezembro de mil novecentos e noventa e oito e deixa como herdeiras de seu axé as yalorixás Maria Helena de Xangô e Lurdes de Ogum, suas filhas de ventre.

Toda a religião de origem africana tem o mesmo propósito em sua crença, em qualquer nação africana, o ritual em sua essência é quase o mesmo, usando as mesmas determinações, como o sacrifício de animais, toques de atabaques, cânticos na linguagem de origem, rigidez nos rituais de iniciação imutáveis em qualquer nação africana, fato que deveria contribuir mais para a aproximação dos terreiros em vez da rivalidade que se instalou nos cultos através dos tempos, acho até que todas as religiões deveriam se unir visando o bem comum da humanidade, visto que, há tantas desgraças, "temos recebido tantos recados" como aquele terrível acontecimento que abalou a Ásia no final de 2004, e ainda assim, não procuramos entender o que os seres superiores estão nos mostrando.

CANDOMBLÉ JÊJE

Candomblé Jêje

Dahomé, o berço da nação Ewe e fon, denominados Jêjes, no Brasil, enumeram-se em diversas tribos como os Agonis, Axantis, Gans, Popós, Crus etc. Os primeiros povos jêjes tiveram como destino São Luis do Maranhão, onde ainda se mantém vivas as tradições religiosas trazidas da terra mãe, África. Também se encontra o ritual jêje em Salvador, Cachoeira de São Félix, Pernambuco entre outros estados do Brasil como Rio Grande do Sul e São Paulo, que também importou os rituais desta nação.

O negro descendente do Dahomé, hoje Benin, trouxe consigo o culto à suas divindades chamadas Voduns, cujo Deus Supremo é Mawu , a quem são subordinados, assim como Olodumaré o Deus Supremo dos Orixás Yorubás. Diz a Mitologia Fon que Mawu tinha um companheiro chamado Lisa, e são filhos de Nana Buruku (ou Nana Buluku), a grande mãe criadora do mundo. Mawu era a Lua, que teve força ao longo da noite e viveu no oeste. Lisa era o Sol, que fez sua morada no Leste. Quando existia um eclipse dizia-se que Mawu e Lisa estavam fazendo amor. Eles eram pais de todos os outros Deuses. E existem quatorze destes deuses, que eram sete pares de gêmeos. Este relato é um mito do primeiro povo do Dahomé, os Fons.

O culto aos Voduns teve ênfase na Bahia, conhecido como Candomblé Jêje, e no Maranhão Tambor de Mina.

Nos terreiros mais influenciados pela mina jêje, o predomínio, em certos grupos, é de mulheres como filhas de santo. Os devotos têm que se submeter a longo processo de iniciação. Os detalhes dos rituais são pouco comentados, não há rituias públicos de iniciação; a cada comunidade, apenas duas ou três pessoas se dedicam ao ritual completo de iniciação. Em geral as Vodunsis dão poucas informações sobre os rituias relacionados com o culto, os segredos são mantidos a sete chaves.

Assim como os Orixás do Batuque, os Voduns incorporados, conversam com a assistência, dando bênçãos, conselhos, deixam recados e mantêm os olhos abertos. È comum no culto jêje fazer provas com os iniciados incorporados com os Voduns, como, por exemplo, mergulhar a mão no azeite de dendê fervendo.

Algumas casas de jêje tiveram influencias dos yorubás e vice-versa, formando o que se chama de cultura Jêje-Nagô. A exemplo do candomblé, as instalações dos terreiros contam com um barracão central para as danças, pequenas casas reservadas para as diferentes famílias de divindades, onde são mantidos os assentamentos. O forte sincretismo prevê, também a instalação de uma pequena capela com altar católico, há uma cozinha, quartos para dormir e se vestir e quarto onde os iniciados ficam recolhidos durante as obrigações. há também a casa de Legba, onde são feitas grandes obrigações.

A iniciação jêje requer um longo período de confinamento, que pode durar de seis meses a um ano de reclusão, onde um Vodunsi aprende as tradições religiosas jêje como: danças, cantigas, preparo das comidas sagradas, cuidar de árvores e espaços sagrados, votos de segredo e obediência. As entidades são assentadas, recebem sacrifícios de animais , comidas, bebidas e outros presentes. Os assentamentos são preparados em pedras, que representam um "imã" que tem a força do Vodun, e ficam guardadas no quarto de segredo recobertos com jarras, louças e ferramentas. Existem, também, assentamentos em outras partes da casa e do quintal marcados por árvores como a cajazeira, ginja e pinhão branco. È comum ter assentamentos no centro do barracão de danças; assim como em outras nações, no culto jêje também são feitos rituais de limpezas, banhos com ervas e muitas preces. Nos rituais antigos o contato com os voduns dependia muito da vidência das Vodunsis, e a adivinhação era feita através da interpretação dos sonhos, consulta com os Voduns e exame da luz de velas, atualmente é comum o uso dos Búzios para consultar as divindades.

As casas de jêje, além do culto aos Voduns, também incorporam em seus rituais alguns orixás nagôs. O panteão jêje é numeroso, sendo os Voduns agrupados em famílias como: Dambirá, Davice, savaluno e Queviossô.

As atividades religiosas requerem um extenso calendário com rituais reservados aos iniciados, e em festas públicas que duram um, três ou sete dias; no final das obrigações todos comem as comidas preparadas com a carne dos animais oferecidos em sacrifício às divindades.

Mawu é o ser supremo dos povos Ewe e Fon, criador do mundo, dos seres vivos e das divindades. Mawu (feminino) e Lissá (masculino) forman a divindade dupla Mawu-Lissá cujos Voduns são filhos e descendentes de ambos. Os principais Voduns são: Loko; Gu; Heviossô; Sakpatá; Dan; Agbê; Águé; Ayizan; Agassu; Legba e Fa.

A casa de jêje chama-se Kwe, e o local destinado ao culto dos Voduns é chamado Hunkpame, que é o templo onde está dentro a divindade; é chefiado por um sacerdote ou sacerdotisa, que são responsáveis pelos ensinamentos aos futuros Vodunsis.

No Rio Grande do Sul, os terreiros que ainda mantém firme a cultura Jêje, nota-se a conservação de certas obrigações, à exemplo, nos assentamentos de Ogum Avagã cujas ferramentas usadas são as mesmas para o assentamento de Gu no Dahomé, e algumas não tem o uso do okutá; e também há nomes de Orixás que usam o mesmo dos Voduns, como por exemplo Dã, cujo Orixá de uma famosa Yalorixá da nação Jêje chamava-se Dã e um outro antigo Babalorixá de Porto Alegre pertencente a esta mesma nação, tinha o assentamento de Sobô; (Sobô é nome de um Vodun do Dahomé). Dos pais e mães de santos atuais, da nação Jêje do Rio Grande do Sul, muitos desconhecem a palavra Vodun; deve-se este fato ao predomínio da nação Ijexá, de origem Yorubá que acabou absorvendo as demais, e o termo vodun com o tempo deixou de existir; mas é certo que a linguagem usada nos cantos rituais e o uso dos aquidavís para percussão dos tambores, o uso do Gã (instrumento de percussão), entre outros fatos refletem muito os fundamentos do antigo Dahomé.

Há casos em que as tradições culturais africanas resistem, mais que em outros, à mudança, mas em nenhuma instância, nem mesmo nos terreiros mais antigos e ostensivamente zelosos à suas origens, deixou de existir, contudo, se tivesse, no sul um maior interesse em pesquisar a origem dos fundamentos de cada nação é certo que achariam a ligação direta do jêje praticado aqui, com os povos do antigo Dahomé, e assim por diante.

O que sobrevive da vertente jêje como legado cultural acha-se incorporado ou associado ao acervo Yorubá, embora não se fale em Vodu no Rio Grande do Sul, certas práticas da religião do antigo Dahomé, hoje Benin, pode ser detectadas no Batuque do Rio Grande do Sul, principalmente nos terreiros que fazem parte da raiz do falecido Joãozinho de Bará (Esú Biyí).

CANDOMBLE DE ANGOLA

Candomblé de Angola

Religião afro-brasileira, de origem banto, que compreende as nações de Angola e Congo (Cassanges, Kikongos, Kimbundo, Umbundo e Kiocos), e se desenvolveu entre os escravos africanos que falavam a linguagem Kimbundo e Kikongo e são facilmente reconhecidos pela maneira diferente de cantar, dançar e percutir seus tambores.

Na hierarquia de Angola o cargo de maior importância é para homem Tata Nkisi (tata de inquinces) e para mulher Mametu Nkisi (Mametu de inquices), que correspondem ao Babalorixá e a Yalorixá dos Yorubás, e o Deus supremo é Zambi (Nzambi) ou Zambiapongo (Ndala Karitanga).

O Candomblé de Caboclo é uma modalidade desta nação, e cultua os antepassados indígenas. Há uma nação que faz parte do Batuque do Rio Grande do Sul que descende de Angola, que é a Cabinda.

Os rituais da nação Angola começam com o Massangá, que é o batismo na cabeça do iniciado, feito com água doce e Obi; Bori com sacrifício de animais para o uso do sangue (menga); ritual de raspagem, conhecido como feitura de santo; ritual de obrigação de 1 ano; ritual de obrigação de 3 anos, onde muda o grau de iniciação; ritual de obrigação de 5 anos, com o uso de frutas, obrigação de 7 anos, quando o iniciado recebe seu cargo, é elevado ao grau de Tata Nkisi (zelador) ou Mametu Nkisi (zeladora). Após 7 anos de obrigações, será renovado a cada ano com o rito de Obi ou Bori, conforme o caso, e de 7 em 7 anos se repete as obrigações para conservar o individuo forte, se transformando em Kukala Ni Nguzu, que quer dizer um ser forte. Além dos búzios, outro sistema antigo de consulta é o Ngombo, no qual o adivinhador recebe o nome de Kambuna.

Os principais Nkisi são: Aluvaiá (também conhecido como: Nkuyu Nfinda, Tata Nfinda, Tona e Cubango), Bombo Njila(Bombojira), Vangira(feminino), Pambu Njila, Pambuguera; Nkisi Nkosi Mukumbe, Roxi Mukumbe, Burê; Nkisi Kabila, Mutalambô, Gongobila, Lambaranguange; Nkise Katendê; Nkisi Zaze (Nsasi, Mukiamamuilo, Kibuco, Kiassubangango) Loango; Nkisi Kaviungo ou Kavungo, Kafungê; Nkise Angorô e Angoroméa; Nkisi Kitembo ou Tempo; Nkisi Tere-Kompenso; Nkisi Matamba, Bamburussenda, Nunvurucemavula; Nikisi Kisimbi, Samba; Nkisi Kaitumbá, Mikaiá; Nkisi Zumbarandá; Nkise Wunge; Nkisi Lembá Dilê, Lembarenganga, jakatamba, Kassuté Lembá, Gangaiobanda; Nkisi Nwunji, Nkisi Kaitumbá, Mikaiá, Kukueto; Nkisi Ndanda Lunda; Nkisi Kaiangu; Kariepembe, Pungu Wanga; Kobayende; Pungu Kasimba; Nkita Kiamasa; Nkita Kuna; Lukankazi, Luganbe, Nzambi Bilongo; Mutalambô, Katalombô, Gunza, Nkuyo Watariamba;

Os cargos e divisão do poder espiritual são:
Mam'etu ria Mukixi - Sacerdotisa chefe (Angola)
Nengua ia Nkisi - Sacerdotisa chefe (Congo)
Tat'etu ria Mukixi - Sacerdote chefe (Angola)
Dise ia Nkisi - Sacerdote chefe (Congo)
Tata Kivonda - Pai sacrificador de animais (Congo)
Kambodu Pokó - Sacrificador de animais (Angola)
Muxikiangoma - Tocador de atabaque
Njimbidi - Cantador (Angola)
Ntodi - Cantador (Congo)

CANDOMBLE KETO

Candomblé de Ketu

Ketu é o nome de um antigo reino da África, na região agora ocupada pela República Popular do Benin e pela Nigéria. Seu rei tem o nome de alaketu, de onde vem o sobrenome da conhecida ialorixá Olga de Alaketo. Também indica o nome do povo dessa região, que veio como escravo para o Brasil. Em termos de identidade cultural, forma uma subdivisão da cultura iorubana. Em geral, membros de origem ketu são responsáveis por boa parte dos terreiros mais tradicionais da Bahia. É a maior e mais popular nação do Candomblé, e a diferença das outras nações está no idioma utilizado, no caso o Yorubá, no toque dos seus atabaques, nas cores e símbolos dos Orixás, e nas cantigas; Os fundamentos são passados oralmente por sacerdotes de Orixás que são chamados de Babalorixá (masculino) Yalorixá (feminino). Os rituais mais conhecidos são: Padê, Sacrifício, Oferenda, lavar contas, Ossé, Xirê, Olubajé, Águas de Oxalá, Ipeté de Oxum e Axexê. Uma outra grande diferença é em relação ao culto dos Eguns; existe um sacerdote preparado para este ritual especifico chamado Ojé ou Baba Ojé, que faz o uso de um ixãn para dominar os Eguns; conforme informações de um antigo sacerdote de Ketu, chamado Balbino de Xangô, quem lida com Orixás não lida com Eguns; Já no Rio Grande do Sul, sempre, é o próprio Sacerdote de orixá quem faz os rituais de Eguns.

Os cargos principais na nação Ketu são:
- Babalorixá ou Yalorixá: autoridades máximas no Candomblé
- Iyakekerê: mãe pequena
- Babakekerê: pai pequeno
- Yalaxé: mulher que cuida dos objetos ritual.
- Agibonã: mãe criadeira supervisiona e ajuda na iniciação.
- Egbomi: pessoa que já cumpriu sete anos de obrigação.
- Iyabassê: mulher responsável pela preparação das comidas de santo.
- Iaô: filha de santo (que já incorpora Orixá).
- Abian: novato.
- Axogun: responsável pelo sacrifício de animais.
- Alagbê: responsável pelos atabaques e pelos toques.
- Ogan: tocadores de atabaques.
- Ajoiê ou Ekedi: camareira de Orixá.

Os Orixás cultuados na nação Ketu são: Exu, Ogum, Oxossi, Logunedé, Xangô, Obaluayê, Oxumaré, Ossaim, Oyá ou Iansã, Oxum, Iemanjá, Nana, Ewa, Oba, Axabó (Orixá feminino da família de Xangô),Oxalá, Ibeji, Irôco, Ifá ou Orunmila.

Na nação Ketu, existente principalmente na Bahia, predominam os Orixás de origem Yorubá, e os terreiros mais conhecidos são: a Casa Branca do Engenho Velho, o Ilê Axé Opô Afonjá, o Gantois; o Candomblé de Alaketu e o Ilê Axé Opô Aganjú localizado em Lauro de Freitas. O Candomblé de origem ketu já se espalhou por todos os grandes centros urbanos do Brasil e também para o exterior, e nota-se um movimento de recuperação de raízes africanas, que rejeita o sincretismo católico, procurando reaprender o yorubá como língua original e tenta reproduzir os rituais que estavam perdidos ao longo do tempo, há casos em que muitos sacerdotes procuram viajar até a África para descobrir mais sobre a cultura dos Orixás.

NAÇÃO OYÓ

Nação Oyó

A maioria dos rituais africanos praticados dentro do Rio Grande do Sul, vem do interior da África, principalmente das regiões da Nigéria onde encontramos as cidades de Ìlèsà, cujo povo é conhecido como da nação Ijexá e Oyó, a terra de Xangô, o Obá (Rei) de Oyó. No Brasil a vida útil do negro, escravo, era muito curta, pois passavam a maior parte de suas vidas trabalhando para seus servos; fora as epidemias e outras doenças, na época incuráveis, que acabaram matando centenas dos nossos antepassados. Devido a estas e outras dificuldades, nossos antigos sacerdotes acabaram levando para o túmulo muitos conhecimentos dos rituais sagrados africanos; Contudo ainda conseguimos guardar boa parte dos fundamentos das diversas nações vindas da África, berço histórico do Brasil; entre estes fundamentos temos a nação Oyó cujas tradições de seus rituais permanecem vivos aqui em Porto Alegre, e em algumas cidades do interior do estado. Para nós Riograndenses é um privilégio ter a presença desta nação, pois quase não se ouve falar de Oyó em outras partes do Brasil, pois raras foram as vezes em que os interessados na captura de escravos conseguiram atingir as localidades do interior da Nigéria, como as cidades de Oyó e Ilexá.

Uma das fontes da nação Oyó na cidade de Porto Alegre foi a Sra. Ermínia Manoela de Araújo, conhecida como mãe Donga de Oxum. Era filha de Oxum (Osun) com Ossãe (Osányìn); morava na colônia africana, nas imediações onde é hoje o Auditório Araújo Viana.

Dona Ermínia nasceu no dia cinco de maio de 1889, era uma negra de grande sabedoria, e seguia as tradições religiosas de acordo com o que herdou de seus genitores, que praticavam as culturas de Oyó e Ijexá juntos, já naquela época, até por que são nações de muita proximidade dentro do território nigeriano, inclusive a língua Yorubá é o idioma falado pelos dois povos, com apenas algumas diferenças no dialeto.

Nas aldeias africanas os assentamentos de Orixás eram feitos para servir uma comunidade inteira, até mesmo uma cidade, e toda população se dedicavam aquele Orixá cultuado na região; os assentamentos, os rituais, as obrigações ficavam de uma geração para outra; tem lugares que ainda hoje, conservam assentamentos de Orixás com quatrocentos anos ou mais, eu mesmo visitei um terreiro em Salvador que mantém um Xangô Ogodô, trazido da África a mais de duzentos anos. Foi esta tradição que deu origem ao Xangô Aganjú do Povo. As tradições deste ritual foram passados à mãe Donga, mas o assentamento do Xangô Aganjú do Povo foi feito pelas suas próprias mãos; e não é apenas um okutá de Xangô, é sim um conjunto de Orixás que mantém os assentamentos de Bará até Oxalá, que foram preparados para servir a comunidade inteira daquela família religiosa de tradição Oyó da bacia de mãe Donga de Oxum, e ser passado pelas gerações vindouras. E assim aconteceu; os assentamentos após passar por vários terreiros de Oyó, hoje estão, nas mãos de uma descendente direta de mãe Donga, a Yalorixá Nélia de Ossãe, que humildemente tem a guarda deste ritual. Antigamente era escolhido um axogum (Asògún), ou seja, um homem que teria a função de fazer o sacrifício dos animais para este ritual; um deles foi o senhor Mário Lopes, que após um derrame passou o cargo ao Sr. Rolim de Oxalá, que morou na rua Lucas de Oliveira, e antes de falecer passou a responsabilidade para o sr. Jorge de Xapanã; após sua morte não se teve uma pessoa exclusivamente para fazer os sacrifícios para Xangô Aganjú do Povo, hoje a responsabilidade da matança é da pessoa que tem a guarda dos assentamentos em seu terreiro, e a data da festa é sempre o dia vinte e dois de julho, que antigamente movimentava todo o povo de santo de Porto Alegre e arredores.

Ermínia Manoela de Araújo teve quatro filhos: Maria Rosaura de Araújo Souza, ficou conhecida como mãe Rosália de Xangô, nasceu em 8 de abril de 1911 e faleceu em 05 de agosto de 1989; Luiza de Araújo Souza, conhecida como tia Luiza de Ogum, nasceu em 25 de novembro de 1915 e morreu em 19 de julho de 1994; Mário de Araújo Souza, conhecido como Mário Bocão, filho de Odé, não temos certeza das datas de seu nascimento e morte; e a outra filha era Lurdes de Araújo Souza, cujo Orixá era Xapanã, também não temos certeza das datas de seu nascimento e morte. Dona Ermínia (Donga de Oxum) contraiu a gripe espanhola e faleceu em 1918, deixando os quatro filhos pequenos, tia Rosália de Xangô com seis anos e sua irmã Luiza de Ogum com dois anos de idade, e os outros dois filhos também pequenos. Em Porto alegre, foi criado um cemitério especialmente para as vitimas da gripe espanhola, que matou em todo país cerca de 300 mil pessoas.

O único filho de santo que Dona Donga de Oxum deixou pronto com todos os assentamentos foi o Sr. Antoninho de Oxum, que herdou além das tradições religiosas, também todos os seu filhos de ventre e de axé (filhos de santo).

Dona Donga tinha uma cunhada que também seguia as tradições da nação Oyó, chamada dona Leopoldina de Oxalá, que também passou ser filha de santo e auxiliar de Pai Antoninho, junto com uma outra senhora chamada carinhosamente de Velha, que também foi uma luz neste antigo terreiro. Antoninho de Oxum trabalhava fora e ainda arrumava tempo para se dedicar a inúmeros filhos de santo e consulentes que o procuravam; teve dois filhos carnais, e outros tantos de criação, entre elas dona "dona Maria Garçoneta" que morava nas imediações da Igreja Nsra. Do Trabalho, tive a felicidade participar de um batuque em seu ilê, na Vila Ipiranga.

Antigamente os babalorixás e yalorixás, além da prática religiosa, dedicavam-se à caridade, a maioria tinha muitos filhos de criação, inclusive se um indivíduo estivesse passando necessidades, era acolhido no terreiro até que tivesse condições de sobrevivência, aquele ia embora e já dava lugar a outro.

Hoje, em alguns casos, é difícil até mesmo a própria sobrevivência dos sacerdotes, já não da mais para seguir o exemplo de amparar os necessitados nos terreiros, a não ser os grandes marqueteiros que estão com os bolsos cheios, mas nem assim se prestam a este tipo de caridade.

A maioria do pessoal que escreve sobre a religião africana no Rio Grande do Sul, cita o Príncipe Custódio como introdutor dos rituais de Batuque aqui no sul, não é bem assim, pois o negro se faz presente neste Estado muito antes da família de Osuanlele (Príncipe Custódio) ser retirada em 1897 de Benin (antigo Daomé), já no censo da população do Rio Grande do Sul, feita no ano de 1814, nos mostra uma população negra expressiva perfazendo um total de 36,7% de afro-brasileiros, contra um total de 45,6% de brancos no estado, outro dado relevante é que pesquisadores, sérios, situam o período inicial do Batuque nesta região entre os anos de 1833 e 1859, na mesma época em que o Candomblé ganhava espaço na Bahia. O lendário Príncipe Custódio só pisa em solo gaúcho no ano de 1899, na cidade de Rio Grande, e já encontra aqui rituais religiosos de origem africana, popularmente denominada de Batuque. Ele contribuiu sim com nossa religião, com seus contatos políticos, pois Custódio, vinha de uma família nobre, sua saída da África foi política; ele sabia como se destacar e fazia bom uso de sua sabedoria religiosa, o que ajudou a travar as perseguições as casas de culto africano. As pesquisas realizadas para saber sobre as nações Oyó, Cabinda, Ijexá e Jêje nos comprovam que o Batuque se estabeleceu aqui no Rio Grande do Sul há quase dois séculos;

Ainda falando da nação Oyó outra contemporânea de mãe Donga de Oxum foi mãe Andrezza Ferreira da Silva, que foi pronta na religião por um velho babalorixá que ainda tinha a sua volta alguns africanos nativos, e ela teria vivido de 1882 a 1951 em Porto Alegre.

Dos descendentes religiosos da raiz de Pai Antoninho de Oxum, os que mais se destacaram foram: a yalorixá Rosália de Xangô, que morreu com 79 anos de idade; morou alguns anos na rua Souza Lobo, na vila jardim, onde tive o privilégio de participar de um ritual de Batuque em seu ilê; sua irmã de ventre e de axé que foi tia Luiza de Ogum que morreu com 78 anos, morou na avenida Saturnino de Brito, 408 na vila jardim, deixou dois filhos, uma é Nelia de Ossãe, que é quem mantém vivo o ritual do Xangô Aganjú do Povo em Porto Alegre, e o outro filho já é falecido. Outra mãe de santo que se destacou muito, uma das mais importantes, depois de Antoninho, foi a sra. Lídia Gonçalves da Rocha, popularmente conhecida como mãe "Moça de Oxum", que entrou para a religião africana aos cuidados de pai Antoninho de Oxum por motivos de doença e se tornou a mais destacada yalorixá da nação Oyó dos últimos tempos; podemos citar também, Cecília de Xangô Aganjú; mãe Leopoldina de Oxalá que era cunhada de mãe Donga de Oxum; Mocinha de Oxalá; Mário "bocão" se destacou como alabê (tamboreiro) da nação Oyó e também aprendeu a tocar Jêje com os aquidavis; Jorgina de Xapanã; Dilina de Oxum; mãe Manoela Mendonça de Oxum; Pai Máximo de Odé, que também era tamboreiro; pai Máximo de Odé também foi pai de santo de Tia Valesca, esposa de pai Antoninho; Mijica de Yemanjá; Benjamim de Oxalá; Camarada de Yemanjá; mãe Quininha de Oyá, mãe Andressa de Oxum; mãe Manoelinha de Oxum, mãe Miguela de Xangô, esta Yalorixá foi uma das ultimas a fazer durante os toques, a fogueira de Xangô, e paramentava todos os Orixás com suas vestes e indumentárias; A mãe Oxum de pai Antoninho também se paramentava quando "incorporada" em seu filho, usava suas vestes com muitas pedrarias. Doralice da Silva Alves, conhecida como Chininha de Oxalá, teve a guarda do Xangô Aganjú do Povo por vinte e dois anos, era casada com pai Máximo de Odé, ela também tinha o apelido de "Caquinha" e aprontou outros bons descendentes do Oyó como a mãe Vera de Ossãe e Sarinha de Xangô, que completou 60 anos de assentamento de seu pai Xangô no dia 18 de outubro de 2004; outros da raiz Oyó que podemos citar são as pessoas de Guilhermina de Yemanjá, que era cozinheira da casa de Antoninho, e também fez "pirão" na casa de muita gente antiga do Oyó; João Gumercindo Saraiva, esposo de dona Doralvina; Yatolá de Oyá, pai Darci de Oxalá, entre outros; Felisberto de Ossãe. Outras pessoas que também se destacaram na nação Oyó foram: mãe Apolinária Batista, Olga da Iansã, Fábio de Oxum, Tim de Ogum, mãe Albertina de Obá; Edelvira de Oxalá, pai Acimar de Xangô; Luiz de Bará; Paulinho de Xangô (filho de santo de mãe Rosália de xangô);; Esperança de Oyá; Toninho de Xangô, herdeiro espiritual de pai Acimar de Xangô. Vários informantes dizem que pai Joãozinho de Bará, também teve uma breve passagem pelas mãos de pai Antoninho de Oxum.

Pai Antoninho de Oxum morou no Mont'Serrat, na rua Eudoro Berlink, na cidade de Porto Alegre, e segundo consta faleceu no ano de 1932.

E mais recente, na história do Oyó, podemos citar alguns descendentes da geração de mãe Moça de Oxum, que também contribuem ou contribuíram para continuidade dos rituais de Oyó como: Laudelina de Bará; Valdomiro de Oxalá, alabê, Zeca Neto de Oxalá; Carola de Oxum; Eva de Oxum; Leinha de Oxum, (falecida em fevereiro de 2005) e Odete de Oxum entre outros.

Há uma outra grande raiz da nação Oyó que derivou de uma famosa mãe de santo chamada Emília fontes de Araújo, Mãe Emília de Oyá. Era descendente de uma família nobre da África, morou na rua Visconde do Herval em Porto Alegre, era contemporânea de Antoninho da Oxum, porém não tinham ligações de bacia, apenas elos de nação. Segundo informações coletadas junto a Pai Paulinho de Agandjú, Mãe Emília faleceu por volta de 1930 e deixou vários herdeiros de seu ritual, onde podemos citar: Mãe Alice de Oxum; Pai Alcebíades de Xangô; Vó Dóca de Yemanjá que morava na av. Praia de Belas esquina com a rua Rodolfo Gomes, Mãe Matilde Fabrício, mãe carnal de Mãe Nenéca de Xangô, que também é herdeira espiritual desta raiz do Oyó; Mãe Cadinha de Odé; Mãe Araci de Odé, que faleceu com 112 anos de idade, e seu Orixá Ode tinha 91 anos de assentamento. Dona Araci fez um ritual de entrega de Axé de Búzios na casa de mãe Ilda de Obá no qual eu estava presente, e até então nunca tinha assistido algo igual. As obrigações do ritual fúnebre de mãe Araci foram feitas por Pai Paulinho de Agandjú, por recomendações expressas da própria Araci, que deixou gravado sua exigência. Eram também da casa de Mãe Emília as pessoas de Negrinha de Odé; Ramiro de Ogum; Dona Rola, esposa de Pai Alcebíades de Xangô.

Mãe Alice de Oxum, se destaca também nesta ramificação do Oyó, deixando vários herdeiros espirituais, entre estes podemos citar a mãe Nicóla de Xangô Dadá, que morou na rua Cuibá, 95 e faleceu em 1975 aos 69 anos de idade, vitima de derrame. Mãe Nicóla deixou vários filhos de santo, um dos que mais se destacou e ainda hoje cumpre os rígidos rituais de sua raiz é a pessoa que nos passa estas informações, Pai Paulinho de Agandjú, com 64 de idade, e seu Orixá com 50 anos de assentamento. Com a morte de Mãe Nicóla, terminou de aprontar na religião alguns de seus descendentes como, Pai Adãozinho de Bará, um dos principais alabês da Nação Oyó. Pai Paulinho fala com autoridade dos rituais que pratica, como a obrigação de Tumbê, Arikú e muitas outras que ainda mantém; e nos cita como sendo ordem de toque para os Orixás de seu terreiro a seguinte seqüência: Bará, Ogum, Xapanã, Odé, Ossãe, Orunmilá, Obokun, Xangô, Ibejis, Agandjú, Yemanjá, Otim, Obá, Nana Buruku, Yewa, Oxum, Oyá e Oxalá.

Alguns sacerdotes nos dão a informação no tocante aos rituais de Batuque da nação Oyó, dizendo que a ordem de toque para os Orixás em seus terreiros seguem quase a mesma seqüência da nação Ijexá: Bará, Ogum. Oyá, Xangô, Ibejis, Odé, Otim, Obá, Ossãe, Xapanã, Oxum, Yemanjá e Oxalá; e outros dizem que as casas antigas de Oyó, tocavam primeiro para os Orixás masculinos, e depois para as Yabás (Orixás femininos) na seguinte ordem: Bará, Ogum, Ossãe, Xapanã, Odé e Otim, Xangô, Ibejis, Obá, Oyá, Oxum, Yemanjá e Oxalá. O fato é que há varias fontes da mesma nação, cada uma seguindo os costumes de seu terreiro de origem, muitos se vendo num segmento de nação pura, outras mesclando com outras nações, e assimilando outras práticas em seus rituais.

Das antigas nações africanas que se fixaram no Rio Grande do Sul, e que foram submetidas, a variados graus de mudança e assimilação, ressalta a do Ijexá como a que melhor conservou a configuração africana original absorvendo outras nações. Os sacerdotes e iniciados por mais antigos que sejam, nos cultos africanos no Rio Grande do Sul, na maioria, se mesclaram com o Ijexá, esse processo, entretanto, não eliminou de todo a consciência histórica e certas tradições religiosas que predominam tanto no Oyó como também no Jêje e na Cabinda; se alguém tiver alguma informação que possa nos ajudar no resgate a história das nações africanas no Estado do Rio Grande do Sul, por favor entrar em contato via e-mail deste site, pois toda informação é bem vinda.

Homenagens

É preciso lembrar que o batuque continua. Já mencionei, na maioria, o pessoal da antiguidade que deu estrutura à religião, porém, além destes, não posso deixar de homenagear aqueles que nos dias de hoje, tanto os “velhos” como os “jovens” que se dedicam a cultuar e manter firme os fundamentos da nação dos Orixás no Rio Grande do Sul. Por enquanto vamos citar: Pai Ademar de Ogum e Ostilio de Oxalá, Babalorixás e alabês da nação Ijexá; Marcelo do Oxalá, filho carnal de mãe Pedrinha da Iansã; Emilinha da Yemanjá; João do Oxalá, da bacia de mãe Ilda da Obá; Edemar da Yemanjá, neto de santo de mãe Preta de Oxalá da nação Ijexá; Tia Eva do Ossãe, filha carnal do Pai Idalino de Ogum; lonice de Oxum e tia Ione de Oxum, netas de Pai Idalino de Ogum; mãe Dora de Oxum da cidade de Alvorada (nação Jêje-Ijexá); Jorge de Bará (Jorginho filho de Pai Pirica, nação Jêje); Tião do Bará (nação Jêje), Jorge do Oxalá (nação Jêje-Ijexá); Didi de Xangô da bacia de Pai Adão de Bará; Marquinhos da Oxum, da bacia de Mãe Estela da Yemanjá e Maria da Oyá; Roberto do Ogum, da raiz de mãe Maria da Oyá; Pai Nazário de Bará, da bacia de Pai Mario de Oxum (nação cabinda); Alfredo de Xangô; mãe Nilza de Yemanjá e Yeda de Ogum; Jorge Verardi de Xangô, da bacia de Pai Leopoldo de Yansã; Renato de Ogum, da bacia de Menicio da Yemanjá; Dona Moza de Ogum, da bacia de Idalino de Ogum e Jovita de Xangô, Dona Moza foi esposa de Leopoldo da Yansã; Sirlei da Yemanjá, da bacia de mãe Preta de Oxalá; Maria Antonia de Oxalá, filha de mãe Apolinária, e seus filhos Junior de Bará e Rose de Ogum(nação Oyó); mãe Miguela de Bará da nação Ijexá-Jêje; mãe Santinha de Ogum, da bacia de mãe Estela de Yemanjá; Rosa de Yemanjá e Tereza de Oxum, da bacia de mãe Ovidia de Oxum; Neuza de Bará Ajelú, filha de Almiro de Bará (nação Ijexá); mãe Ofélia da Yemanjá, uma das mais antigas Yalorixás da nação Ijexá; Tia Ní do Ogum da nação Ijexá; Janete de Yansã; Mãe Eva do Ogum, da bacia de Pai Idalino do ogum; Vera do Oxalá, filha carnal de mãe Albertina da Obá; Wilian da Yansã; Lola do Bará; Leci do Bará; Celso do Oxalá; Sandra do Ogum; Carlos do Bará; Nitinha de Oxum; Ondina de Xangô da nação Jêje; Marinho de Oxalá; Maria do Xangô; Alabê Marcos do Bará; Vera do Ogum;

Póstumas:

Pai Mauro de Xangô, Miguel de Xangô , da bacia de mãe Estela de Yemanjá; Salvain da Oxum; Juvenal do Ossãe; Laerte da Yemanjá, da bacia de Menicio da Yemanjá e Olmira de Xangô; Pedrinha da Yansã; Sérgio do Ogum, da bacia de Almiro de Bará; Sérgio da Yansã e Renato de Ogum, da bacia da Catarina de Ogum; Marcelinho de Ogum, da bacia de Menicio da Yemanjá; Delurdes de Xapanã, da bacia da mãe Olmira de Xangô; Luiz Carlos da Oxum, da bacia de Pai Romário de Oxalá; Pai Paulinho da Yemanjá, da bacia de mãe Arina de Bará; Clemir de Bará; Pai Pity de Xangô; Suca de Yansã; Alice de Oxalá, da bacia de Mãe Olmira; Jorge do Ogum, da bacia de Almiro de Bará; Sodré da Yansã; Celso de Bará, da bacia de Tião de Bará; Vó Dora da Yansã; mãe Jovita de Xangô; Pai Hugo da Yemanjá; Tureba de Ogum; mãe Otilia de Ossãe, Pai Chico de Ogum, e outros tantos que se foram para o Orum, mas continuam vivos na memória de seus amigos e descendentes.

Candomblé

O Candomblé é um segmento religioso que pratica as tradições, ritos e crenças africanas, trazidos pelos antepassados, cujos rituais tem origens nas culturas Jêje, Ketu, Angola, entre outras nações que fazem parte das religiões afro-brasileiras.

A cultura religiosa africana foi desenvolvida no Brasil através do conhecimento de sacerdotes negros, que com parte de seu povo, foram capturados e escravizados, juntamente com seus Orixás, entre 1532 e 1888.

Com o "fim" da escravatura em 1888, o candomblé se expandiu consideravelmente, e prosperou muito desde então. Hoje, cerca de 3 milhões de brasileiros declaram ser seguidores das religiões afro, mas acredito que o número seja bem maior, visto que, conforme o local e ocasião os seguidores dizem ser católicos, com medo da discriminação; (os católicos, de acordo com o censo somam 75%, enquanto os que praticam as religiões afro-brasileiras aparecem com 1,5% da população brasileira).

Os negros escravos pertenciam a diversos grupos étnicos, incluindo os Yorubá (Nagôs), os Ewe, os Fon, e os Bantos, que contribuíram não só com seus rituais religiosos, mas, também com a música, dança, alimentação, língua e outras manifestações culturais como o samba, capoeira, em fim a contribuição cultural negra é inestimável. O negro escravizado ao invés de se isolar, aprendeu a conviver entre grupos étnicos diferentes. A religião africana ao chegar no Brasil sofreu uma transformação imposta pela nova fronteira e pela nova sociedade em transformação. O homem africano foi proibido de praticar seus ritos, no entanto nossos Orixás mais importantes chegaram até hoje com a proteção do sincretismo católico, contudo, o negro conseguiu preservar as crenças étnicas principalmente os ritos de iniciação, os cânticos em linguagens africanas, o culto aos antepassados entre outras tradições. Através do tempo os vários cultos foram se transformando até assumirem uma postura mais ou menos fiel a sua origem.

Os Orixás da Mitologia Yorubá, foram criados por um Deus supremo chamado Olorum (Olóòrun) ou Olodumare (Olódùmarè); já os Voduns da Mitologia Fon ou Mitologia Ewe, foram criados por Mawu e Lisa; e os Nkisis (inquices) da Mitologia Banto, foram criados por Zambi, Deus supremo e criador.

NAÇÃO JÊJE

Nação Jêje

Quando se fala em Nação Jêje, aqui no sul do Brasil, logo se lembra do Pai de Santo mais famoso desta nação que foi o Pai Joãozinho de Bará (Exu Bý), que sem dúvidas foi a maior expressão desta nação, famoso no Brasil e em outros países como Uruguai e Argentina. Ele era filho de Santo de Mãe Chininha de Xangô Aganju, a mais antiga mãe de santo da nação Jêje que se tem notícias aqui no Rio Grande do Sul. A primeira filha de santo de pai João foi a Sra. Vandina de Oxum e depois dela vieram outros importantes adeptos do Jêje que se tornaram Babalorixás ou Yalorixás feitos pela mão de Pai Joãozinho de Bará como a Tia Nica de Bará, Alzira de Xangô, Dêde de Oxum, tio Cristóvão de Oxum, tia Conceição (irmã de Cristóvão de Oxum), Valdomiro de Bará Lodê, muito respeitado e temido por todos, foi um dos maiores feiticeiros de que se teve conhecimento no Rio Grande do Sul; Cotinha de Xangô, Valina da Oyá, irmã de Vandina de Oxum; Pai Pirica de Xangô, Jurema de Xangô, tamboreira, Evinha de Xangô, também uma das melhores tamboreiras do sul; tia Licinha da Oyá, vó Aurora do Ogum, vó de Pirica de Xangô; tia Eva de Bará, João vó da Oxum Docô, falecido em outubro de 2003; Rosália de Odé, Landa de Bará, Rení da Iansã, filha de criação do Pai João; Pequeno de Bará Lodê, esposo de reni de Oyá; Tia Tereza de Oxalá, filha carnal de Alzira de Xangô; tia Jaci de Yemanja; Valdir de Xangô, Mesquita de Xangô, Nadir de Ogum, Zé de Xangô, tio de Valdir de Xangô; Nelson de Xangô, Pai de Santo de Vinicios de Oxalá; Zé da Saia de Xangô, Ziza de Odé, Julieta de Odé, Patinha de Bará, Marta de Bará, famosa por sua vidência, também praticava Umbanda, as mulheres grávidas faziam filas para saber qual era o sexo do filho, quando a pessoa entrava em seu portão ela já sabia o que foi fazer em sua casa; Leda de Xangô, também famosa por seus feitos na Umbanda e vidente das melhores, tenho muitos agradecimentos a esta grande mãe de Santo; Santa de Yemanja, Catarina de Ogum, Tião de Bará, Elaine de Oxum, Cleusa de Oyá, Elza de Oxalá, morava no Rio de Janeiro, para onde Joãozinho de Bará viajava freqüentemente. A Nação de Jêje puro já deixou de existir a muito tempo, a maioria das casas praticam junto a nação Ijexá, cujas rezas e rituais são utilizadas por todas as casas de batuque do Rio grande do Sul e para os países onde o ritual africano, do sul, foi levado como Uruguai e Argentina. Nas festas de ritual Jêje as rezas não são na linguagem Yorubá e sim na linguagem Fon, e a dança é feita de par, as pessoas dançam de par uma de frente para o outra e alternam os lugares conforme muda o rítimo dos tambores. Os tambores usados para os rituais são parecidos com os tambores da Nação Ijexá, embora sejam em tamanhos bem menores e sempre tem que ser em número de dois tambores, um toca com dois Aquidavís e o outro faz a marcação com um só aquidavi, que são os famosos "pausinhos", erradamente usam-se o termo "Jêje de pausinhos', que na verdade são os Aquidavís usados para tirar o som dos tambores de Jêje, o acompanhamento é feito por um instrumento chamado Gãn; no ritual onde se tira rezas de Jêje não usa-se agê nem agogô. Joãozinho de Bará e Tia Licinha, sua irmã, tocavam Jêje juntos, dizem que era um dos melhores rituais quando esses dois se juntavam.

Joãozinho do Bará doutrinava muito bem seus filhos de santo, ensinava os filhos a tirar as rezas dos Orixás e a tocar tambor; ele ensinava os filhos tocando na mesa com duas colheres e no outro dia já os colocava a tocar no tambor com os aquidavís, e com certeza logo aprendiam. Ele foi uma árvore que deu muitos frutos, eu diria que foi João de Bará no Jêje e Manoelzinho de Xapanã no Ijexá. Hoje há poucas casas que conseguem fazer o ritual Jêje, dá para citar a casa de pai Pirica e a do Tião do Bará e seus descendentes, que também completam seus rituais com as rezas da nação Ijexá de linguagem Yorubá, mas são nestes terreiros que ainda se vê acontecer o ritual jêje-nagô à moda antiga. O que é chamado de nação Jêje é o ritual africano formado pelos povos fons vindo da região de Daomé, hoje Benin. Os povos Jêjes, chegados ao Brasil, em sua grande maioria se estabeleceram em São Luiz do Maranhão, onde ainda existe a Casa das Minas, Salvador e Cachoeira de São Félix (Bahia), Rio de Janeiro e para o Rio Grande do Sul sabe-se que vieram alguns descendentes do Daomé, inclusive um príncipe. O Daomé foi colônia de diversos países , e quando passou a ser propriedade da Grã-Bretanha, os Ingleses tiveram que entrar em acordo com os Reis e príncipes negros que governavam as terras. Um desses acordos resultou a vinda de um príncipe de São João Batista de Ajudá, que deixou sua terra na Costa da Mina; este escolheu o Brasil, inicialmente fixou-se em Rio Grande e, mais tarde foi para o interior de Bagé, onde ficou conhecido por manter viva a tradição religiosa Africana. De Bagé veio para Porto Alegre, adotou como nome Custódio Joaquim de Almeida, conhecido no meio religioso como Príncipe Cústódio. Seu ilê era freqüentado por figuras importantes da época, inclusive foi ele quem fez o assentamento de um Bará no mercado público de Porto Alegre, onde todos adeptos do culto africano fazem reverencia cada vez que terminam uma obrigação aos seus Orixás.

NAÇÃO CANBINDA

Nação Cabinda

A nação Cabinda, originária de Angola, adotou o panteão dos Orixás Iorubas, embora estas divindades Bantus teriam como nome correto Inkince.

Os Inkinces são para os Bantus o mesmo que os Orixás para os Yorubás, e o mesmo que os Voduns são para os Jêjes. Não se trata da mesma divindade, cada Inkince, Orixá ou Vodum possui identidade própria e culturas totalmente distintas. A linguagem ritual originou-se predominantemente das línguas Kimbundo e Kikongo; são línguas muito parecidas e ainda utilizadas atualmente. O Kimbundo é o segundo idioma nacional em Angola. O Kikongo, provém do Congo, sendo também falado em Angola.

Aqui no Rio Grande do Sul a raiz forte da Cabinda foi o Sr. Valdemar Antonio dos Santos, filho do Orixá Xangô Kamucá Baruálofina; sua primeira filha de santo foi a Sra. Madalena de Oxum.

Outros que se iniciaram pelas mãos de Valdemar de Xangô, e com sua morte passaram para as mãos de Mãe Madalena de Oxum foram: Pai Tati de Bará, Mãe Palmira de Oxum, Ramão de Ogum, Pai Mario de Ogum e Pai Nascimento de Sakpatá. Depois foram surgindo outros ícones da nação Cabinda, onde podemos citar Pai Romário de Oxalá, filho de santo de Mãe Madalena de Oxum; Mãe Olê de Xangô, mulher de Pai Tati de Bará; Pai Henrique de Oxum, enteado e filho de santo de Mãe Palmira de Oxum; Pai Adão de Bará, foi filho de santo de Pai Romário; Pai Cleon de Oxalá; Antonio Carlos de Xangô, alabê, teve sua iniciação pelas mãos de Pai Tati de Bará, Mãe Marlene de Oxum, filha de santo de Pai Romário; Pai Paulo Tadeu de Xangô; Olê de Xangô, esposa de Pai Tati de Bará; Pai Geneci de Xangô; Hélio de Xangô, iniciado por Pai Adão de Bará; João Carlos de Oxalá, de Pelotas; Juarez de Bará; Pai Gabriel de Oxum, que foi um grande Babalorixá da Nação Cabinda, filho de santo de Romário de Oxalá; Lurdes do Ogum; Enio de Oxum, também da casa de Pai Romário; Luiz vó da Oxum Docô, iniciado por Romário de Oxalá; Ydy de Oxum, iniciado por Henrique de Oxum, entre muitos outros que conservam, ainda, os fundamentos desta Nação tão importante nos rituais Africanos do Sul.

Os praticantes da Nação Cabinda também se valem dos rituais da Nação Ijexá, já que esta última é atualmente a modalidade ritual predominante aqui no Rio Grande do Sul; a diferença se dá basicamente no respeito à memória de seus ancestrais e a outros fatores como o início dos fundamentos da Nação Cabinda, que é justamente onde termina os das outras Nações: o cemitério.

O Orixá Xangô é considerado Rei desta nação, e é o dono dos Eguns, juntamente com Oyá e Xapanã; E o culto aos Eguns é tão forte que na maioria dos terreiros desta nação, se encontra o assentamento de Balé (culto aos Eguns); Os filhos de Oxum, Yemanja e Oxalá, podem entrar e sair de cemitérios quando necessário for, sem nenhum prejuízo a sua feitura, já nas outras nações estes só entram no cemitério em extrema necessidade; Se estiver acontecendo uma festa num terreiro de Cabinda, e se o Orixá Xangô, tendo recebido oferendas de quatro pés, e vier a falecer algum membro da casa ou da família religiosa, não ficará a obrigação prejudicada, conforme acontece nos outros terreiros, nos quais teriam que interromper toda a obrigação.

Os Orixás cultuados na Nação Cabinda são os mesmos da Nação Ijexá acrescentando Bará elegba, oyá dirã e oyá timboá; Na maioria das vezes as oferendas também são iguais com pouca diferença como por exemplo a obrigação do peixe que na Cabinda oferecem Pintado a determinados Orixás, que no Ijexá damos Jundiá

ORÍKÌS

Oríkì à Esù
Èsù òta òrìsà. Osétùrá ni oruko bàbá mò ó. Alágogo Ìjà ni orúko ìyá npè é, Èsù Òdàrà, omokùnrin Ìdólófin, O lé sónsó sí orí esè elésè Kò je, kò jé kí eni nje gbé mì, A kìì lówó láì mú ti Èsù kúrò, A kìì lóyò láì mú ti Èsù kúrò, Asòntún se òsì láì ní ítijú, Èsù àpáta sómo olómo lénu, O fi okúta dípò iyò. Lóògemo òrun, a nla kálù, Pàápa-wàrá, a túká máse sà, Èsù máse mí, omo elòmíràn ni o se.

Tradução
Exú, o inimigo dos orixás. Osétùrá é o nome pelo qual você é chamado por seu pai. Alágogo Ìjà é o nome pelo qual você é chamado por sua mãe. Exú Òdàrà, o homem forte de ìdólófin, Exú, que senta no pé dos outros. Que não come e não permite a quem está comendo que engula o alimento. Quem tem dinheiro, reserva para Exú a sua parte, Quem tem felicidade, reserva para Exú a sua parte. Exú, que joga nos dois times sem constrangimento. Exú, que faz uma pessoa falar coisas que não deseja. Exú, que usa pedra em vez de sal. Exú, o indulgente filho de Deus, cuja grandeza se manifesta em toda parte. Exú, apressado, inesperado, que quebra em fragmentos que não se poderá juntar novamente, Exú, não me manipule, manipule outra pessoa.

Oríkì à Ògùn
Ògún pèlé o ! Ògún alákáyé, Osìn ímolè. Ògún alada méjì. O fi òkan sán oko. O fi òkan ye ona. Ojó Ògún ntòkè bò. Aso iná ló mu bora, Ewu ejè lówò. Ògún edun olú irin. Awònye òrìsà tií bura re sán wònyìnwònyìn. Ògún onire alagbara. A mu wodò, Ògún si la omi Logboogba. Ògún lo ni aja oun ni a pa aja fun. Onílí ikú, Olódèdè màríwò. Ògún olónà ola. Ògún a gbeni ju oko riro lo, Ògún gbemi o. Bi o se gbe Akinoro.

Tradução
Ogum, eu te saúdo ! Ogum, senhor do universo, lorde dos orixás. Ogum, dono de dois facões, Usou um deles para preparar a horta e o outro para abrir caminho. No dia
em que Ogum vinha da montanha ao invés de roupa usou fogo para se cobrir. E vestiu roupa de sangue. Ogum, a divindade do ferro Orixá poderoso, que se morde inúmeras vezes. Ògún Onire, o poderoso. O levamos para dentro do rio e ele, com seu facão, partiu as águas em duas partes iguais. Ogum é o dono dos cães e para ele sacrificamos. Ogum, senhor da morada da morte. o interior de sua casa é enfeitado com màríwò. Ogum, senhor do caminho da prosperidade. Ogum, é mais proveitoso ao homem cultuá-lo do que sair para plantar Ogum, apoie-me do mesmo modo que apoiou Akinoro.

Oríkì à Osòsì
Òsoosì. Awo òde ìjà pìtìpà. Omo ìyá ògún oníré. Òsoosì gbà mí o. Òrìsà a dínà má yà. Ode tí nje orí eran. Eléwà òsòòsò. Òrìsà tí ngbélé imò, gbe ilé ewé. A bi àwò lóló. Òsoosì kì nwo igbó, Kí igbo má mì tìtì. Ofà ni mógàfí ìbon, O ta ofà sí iná, Iná kú pirá. O tá ofà sí Oòrùn, Oòrùn rè wèsè. Ogbàgbà tí ngba omo rè. Oní màríwò pákó. Ode bàbá ò. O dé ojú ogun, O fi ofà kan soso pa igba ènìyàn. O dé nú igbó, O fi ofà kan soso pa igba eranko. A wo eran pa sí ojúbo ògún lákayé, Má wo mí pa o. má sì fi ofà owo re dá mi lóró. Odè ò, Odè ò, Odè ò, Òsoosì ni nbá ode inú igbo jà, Wípé kí ó de igbó re. Òsoosì oloró tí nbá oba ségun, O bá Ajé jà, O ségun. Òsoosì o ! Má bà mi jà o. Ogùn ni o bá mi se o. Bí o bá nbò láti oko. kí o ká ilá fún mi wá. Kí o re ìréré ìdí rè. Má gbàgbé mi o, Ode ò, bàbá omo kí ngbàgbé omo.

Tradução
Oxosse ! Ó orixá da luta, irmão de Ògún Onírè. Oxosse, me proteja ! Orixá que tendo bloqueado o caminho, não o desimpede. Caçador que come a cabeça dos animais. Orixá que come ewa osooso. Orixá que vive tanto em casa de barro como em casa de folhas. Que possui a pele fresca. Oxosse não entra na mata sem que ela se agite. Ofà é a arma poderosa que o pai usa em lugar de espingarda. Ele atirou a sua flecha contra o fogo, o fogo se apagou de imediato. Atirou sua flecha contra o sol, O sol se pôs. Ó salvador, que salva seus filhos ! Ó senhor do màrìwó pákó ! Meu pai caçador chegou na guerra, matou duzentas pessoas com uma única flecha. Chegou dentro da mata, usou uma única flecha para matar duzentos animais selvagens. Arrasta um animal vivo até que ele morra e o entrega no ojubo de Ogum. Não me arraste até a morte. Não atire sofrimentos em minha vida, com seu Ofà. Ó Odè! Ó Odè! Ó Odè! Dentro da mata, é Oxosse que luta ao lado do caçador para que ele possa caçar direito. Oxosse, o poderoso, que vence a guerra para o rei. Lutou com a feiticeira e venceu. Ó Oxosse, não brigue comigo. Vence as guerras para mim Quando voltar da mata, Colhe quiabos para mim. e, ao colhê-los, tire seus talos. Não se esqueça de mim. Ó Odè, um pai não se esquece do filho.

Oríkì à Obà
Obà, Obà, Obà. Ojòwú Òrìsà, Eketà aya Sàngó. O torí owú, O kolà sí gbogbo ara. Olókìkí oko. A rìn lógànjó pèlú àwon ayé. Obà anísùru, ají jewure. Obà kò b'óko dé kòso, O dúró, ó bá Òsun rojó obe. Obà fiyì fún apá oko rè. Oní ó wun òun ju gbogbo ará yókù lo. Obà tó mo ohùn tó dára.

Tradução
Obá, Obá, Obá. Orixá ciumento, terceira esposa de Xangô. Ela, que por ciúmes, fez incisões em todo corpo. Que fala muito de seu marido, que anda nas madrugadas com as ayé. Obá paciente, que come cabrito logo pela manhã. Obá não foi com o marido a Koso, ficou para discutir com Oxum sobre comida. Obá valoriza os braços do marido, diz que é a parte de seu corpo que ela prefere. Obá sabe o que é bom.

Oríkì à Òsun
Yèyé òpàrà ! Obìnrin bí okùnrin ní Òsun A jí sèrí bí ègà. Yèyé olomi tútú. Opàrà òjò bíri kalee. Agbà obìnrin tí gbogbo ayé n'pe sìn. Ó bá Sònpònná jé pétékí. O bá alágbára ranyanga dìde.

Tradução
Yèyé Opàrà ! Oxum é uma mulher com força masculina. Sua voz é afinada como o canto do ega. Graciosa mãe, senhora das águas frescas. Opàrà, que ao dançar rodopia como o vento, sem que possamos vê-la. Senhora plena de sabedoria, que todos veneramos juntos. Que como pétékí com Xapanã. Que enfrenta pessoas poderosas e com sabedoria as acalma.

Oríkì à Osànyin
Agbénigi, òròmodìe abìdi sónsó Esinsin abedo kínníkínni; Kòògo egbòrò irín Aképè nigbà òràn kò sunwòn Tíotio tin, ó gbà aso òkùnrùn ta gìègìè. Elésè kan jù elésè méjì lo. Ewé gbogbo kíki oògùn Àgbénigi, èsìsì kosùn Agogo nla se erpe agbára Ó gbà wón là tán, wón dúpé téniténi Aròni já si kòtò di oògùn máyà Elésè kan ti ó lé elése méjì sáré

Tradução
Aquele que vive nas árvores e que tem um rabo pontudo como estaca. Aquele que tem o fígado transparente como o da mosca. Aquele que é tão forte quanto uma barra de ferro. Aquele que é invocado quando as coisas não estão bem. O esbelto que quando recebe a roupa da doença se move como se fosse cair. O que tem uma só perna e é mais poderoso que os que têm duas. Todas as folhas têm viscosidade que se tornam remédio. Àgbénigi, o deus que usa palha. O grande sino de ferro que soa poderosamente. A quem as pessoas agradecem sem reservas depois que ele humilha as doenças. Àròni que pula no poço com amuletos em seu peito. O homem de uma perna que excita os de duas pernas para correr.

Oríkì à Logùnédè
Ganagana bi ninu elomi ninu A se okùn soro èsinsin Tima li ehin yeye re Okansoso gudugu Oda di ohùn O ko ele pé li aiya Ala aiya rere fi owó kan Ajoji de órun idi agban Ajongolo Okunrin Apari o kilo òkò tímotímo O ri gbá té sùn li egan O tó bi won ti ji re re A ri gbamu ojiji Okansoso Orunmila a wa kan mà dahun O je oruko bi Soponna / Soro pe on Soponna e nià hun Odulugbese gun ogi órun Odolugbese arin here here Olori buruku o fi ori já igi odiolodi O fi igbegbe lù igi Ijebu O fi igbegbe lú gbegbe meje Orogun olu gbegbe o fun oya li o Odelesirin ni ki o wá on sila kerepa Agbopa sùn kakaka Oda bi odundun Jojo bi agbo Elewa ejela O gbewo li ogun o da ara nu bi ole O gbewo li ogun o kan omo aje niku A li bilibi ilebe O ti igi soro soro o fibu oju adiju Koro bi eni ló o gba ehin oko mà se ole O já ile onile bó ti re lehin A li oju tiri tiri O rí saka aje o dì lebe O je owú baludi O kó koriko lehin O kó araman lehin O se hupa hupa li ode olode lo Òjo pá gbodogi ró woro woro O pà oruru si ile odikeji O kó ara si ile ibi ati nyimusi Ole yo li ero O dara de eyin oju Okunrin sembeluju Ogbe gururu si obè olori A mò ona oko ko n ló A mo ona runsun rdenreden O duro ti olobi kò rà je Rere gbe adie ti on ti iye O bá enia jà o rerin sún O se adibo o rin ngoro yo Ogola okun kò ka olugege li òrùn Olugege jeun si okurú ofun O já gebe si orún eni li oni O dahun agan li ohun kankan O kun nukuwa ninu rere Ale rese owuro rese / Ere meji be rese Koro bi eni lo Arieri ewo ala Ala opa fari Oko Ahotomi Oko Fegbejoloro Oko Onikunoro Oko Adapatila Soso li owuro o ji gini mu òrún Rederede fe o ja kùnle ki agbo Oko Ameri èru jeje oko Ameri Ekùn o bi awo fini Ogbon iyanu li ara eni iya ti n je O wi be se be Sakoto abi ara fini

Tradução
Um orgulhoso fica infeliz que um outro esteja contente É difícil fazer um corda com as folhas espinhosas da urtiga Montado de cavalinho sobre as costas de sua mãe Ele é sozinho, ele é muito bonito Até a voz dele é agradável Não se coloca as mãos sobre o seu peito Ele tem um peito que atrai as mãos das pessoas O estrangeiro vai dormir sobre o coqueiro Homem esbelto O careca presta atenção à pedra atirada certeiramente Ele acha duzentas esteiras para dormir na floresta Acordá-lo bem é o suficiente Nós somente o vemos e o abraçamos como se ele fosse uma sombra Somente em Orunmila nós tocamos, mas ele não responde Ele tem um nome como Soponna / É difícil alguém mau chamar-se Soponna Devedor que faz pouco caso Devedor que anda rebolando displicentemente Ele é um louco que quebra a cerca com a cabeça Ele bate com seu papo numa árvore Ijebu Ele quebrou sete papos com o seu papo A segunda mulher diz ao papo para usar um pente (para desinchar o papo) Um louco que diz que o procurem lá fora na encruzilhada Aquele que tem orquite ( inflamação dos testículos) e dorme profundamente Ele é fresco como a folha de odundun Altivo como o carneiro Pessoa amável anteontem Ele carrega um talismã que ele espalha sobre o seu corpo como um preguiçoso Ele carrega um talismã e briga com o filho do feiticeiro dando socos Ele veste boas roupas Com um pedaço de madeira muito pontudo ele fere o olho de um outro Rápido como aquele que passa atrás de um campo sem agir como um ladrão Ele destrói a casa de um outro e com o material cobre a sua Ele tem olhos muito aguçados Ele acha uma pena de coruja e a prende em sua roupa Ele é ciumento e anda "rebolando" displicentemente Ele recolhe as ervas atrás Ele recolhe as ervas atrás Ele anda "rebolando" desengonçado para ir ao pátio interior de um outro A chuva bate na folha de cobrir telhados e faz ruído Ele mata o malfeitor na casa de um outro Ele recolhe o corpo na casa e empina o nariz O preguiçoso está satisfeito entre os passantes Ele é belo até nos olhos Homem muito belo Ele coloca um grande pedaço de carne no molho do chefe Ele conhece o caminho do campo e não vai lá Ele conhece o caminho ruins Ele está ao lado do dono dos obi e não os compra para comer O gavião pega o frango com as penas Ele briga com qualquer um e ri estranhamente Ele tem o hábito de andar como a um bêbado que bebeu Sessenta contas não podem rodear o pescoço de um papudo O papudo come no inchaço de sua garganta Ele quebra o papo do pescoço daquele que o possui Ele dá rapidamente crianças às mulheres estéreis Ele guarda seus talismãs numa pequena cabaça A noite coisa sagrada, de manhã coisa sagrada / Duas vezes assim coisa sagrada Rápido como alguém que parte A proibição do pássaro branco é o pano branco Ele mexe os braços fantasiosamente Marido de Ahotomi Marido de Fegbejoloro Marido de Onikunoro Marido de Adapatila Bem desperto, ele acorda de manhã já com o arco e flecha no pescoço Como um louco ele se debate para colocar os joelhos no chão, como o carneiro Marido de Ameri que dá medo Leopardo de pele bonita Ele expulsa a infelicidade do corpo de alguém que tem infelicidade. Assim ele diz e assim ele faz Orgulhoso que possui um corpo muito belo.

Logun-ede - Com Tradução a Cada Linha

Ganagana Bi Ninu Elomi Ninu
Um orgulhoso fica infeliz se um outro esteja contente

A Se Okùn Soro Èsinsin
É difícil fazer um corda com as folhas espinhosas da urtiga

Tima Li Ehin Yeye Re
Montado de cavalinho sobre as costas de sua mãe

Okansoso Gudugu
Ele é sozinho, ele é muito bonito

Oda Di Ohùn
Até a voz dele é agradável

O Ko Ele Pé Li Aiya
Não se coloca as mãos sobre o seu peito

Ala Aiya Rere Fi Owó Kan
Ele tem um peito que atrai as mãos das pessoas

Ajoji De Órun Idi Agban
O estrangeiro vai dormir sobre o coqueiro

Ajongolo Okunrin
Homem esbelto

Apari O Kilo Òkò Tímotímo
O careca presta atenção à pedra atirada certeiramente

O Ri Gbá Té Sùn Li Egan
Ele acha duzentas esteiras para dormir na floresta

O Tó Bi Won Ti Ji Re Re
Acordá-lo bem é o suficiente

A Ri Gbamu Ojiji
Nós somente o vemos e o abraçamos como se ele fosse uma sombra

Okansoso Orunmila A Wa Kan Mà Dahun
Somente em Orunmila nós tocamos, mas ele não responde

O Je Oruko Bi Soponna /
Ele tem um nome como Soponna /

Soro pe on Soponna e nià hun
É difícil alguém mau chamar-se Soponna

Odulugbese Gun Ogi Órun
Devedor que faz pouco caso

Odolugbese Arin Here Here
Devedor que anda rebolando displicentemente

Olori Buruku O Fi Ori Já Igi Odiolodi
Ele é um louco que quebra a cerca com a cabeça

O Fi Igbegbe Lù Igi Ijebu
Ele bate com seu papo numa árvore Ijebu

O Fi Igbegbe Lú Gbegbe Meje
Ele quebrou sete papos com o seu papo

Orogun Olu Gbegbe O Fun Oya Li O
A segunda mulher diz ao papo para usar um pente (para desinchar o papo)

Odelesirin Ni Ki O Wá On Sila Kerepa
Um louco que diz que o procurem lá fora na encruzilhada

Agbopa Sùn Kakaka
Aquele que tem orquite ( inflamação dos testículos) e dorme profundamente

Oda Bi Odundun
Ele é fresco como a folha de odundun

Jojo Bi Agbo
Altivo como o carneiro

Elewa Ejela
Pessoa amável anteontem

O Gbewo Li Ogun O Da Ara Nu Bi Ole
Ele carrega um talismã que ele espalha sobre o seu corpo como um preguiçoso

O Gbewo Li Ogun O Kan Omo Aje Niku
Ele carrega um talismã e briga com o filho do feiticeiro dando socos

A li Bilibi Ilebe
Ele veste boas roupas

O Ti Igi Soro Soro O Fibu Oju Adiju
Com um pedaço de madeira muito pontudo ele fere o olho de um outro

Koro Bi Eni Ló O Gba Ehin Oko Mà Se Ole
Rápido como aquele que passa atrás de um campo sem agir como um ladrão

O Já Ile Onile bó ti re lehin
Ele destrói a casa de um outro e com o material cobre a sua

A Li Oju Tiri Tiri
Ele tem olhos muito aguçados

O Rí Saka Aje O Dì Lebe
Ele acha uma pena de coruja e a prende em sua roupa

O Je Owú Baludi
Ele é ciumento e anda "rebolando" displicentemente

O Kó Koriko Llehin
Ele recolhe as ervas atrás

O Kó Araman Lehin
Ele recolhe as ervas atrás

O Se Hupa Hupa Li Ode Olode Lo
Ele anda "rebolando" desengonçado para ir ao pátio interior de um outro

Òjo Pá Gbodogi Ró Woro Woro
A chuva bate na folha de cobrir telhados e faz ruído

O Pà Oruru Si Ile Odikeji
Ele mata o malfeitor na casa de um outro

O Kó Ara Si Ile Ibi Ati Nyimusi
Ele recolhe o corpo na casa e empina o nariz

Ole Yo Li Ero
O preguiçoso está satisfeito entre os passantes

O Dara De Eyin Oju
Ele é belo até nos olhos

Okunrin Sembeluju
Homem muito belo

Ogbe Gururu Si Obè Olori
Ele coloca um grande pedaço de carne no molho do chefe

A Mò Ona Oko Ko Nló
Ele conhece o caminho do campo e não vai lá

A Mo Ona Runsun Rdenreden
Ele conhece o caminho runsun redenreden

O Duro Ti Olobi Kò Rà Je
Ele está ao lado do dono dos obi e não os compra para comer

Rere Gbe Adie Ti On Ti Iye
O gavião pega o frango com as penas

O Bá Enia Jà O Rerin Sún
Ele briga com qualquer um e ri estranhamente

O Se Adibo O Rin Ngoro Yo
Ele tem o hábito de andar como a um bêbado que bebeu

Ogola Okun Kò Ka Olugege Li Òrùn
Sessenta contas não podem rodear o pescoço de um papudo

Olugege Jeun Si Okurú Ofun
O papudo come no inchaço de sua garganta

O Já Gebe Si Orún Eni Li Oni
Ele quebra o papo do pescoço daquele que o possui

O dahun agan li ohun kankan
Ele dá rapidamente crianças às mulheres estéreis

O Kun Nukuwa Ninu Rere
Ele guarda seus talismãs numa pequena cabaça

Ale Rese Owuro Rese /
A noite coisa sagrada, de manhã coisa sagrada /

Ere Meji Be Rese
Duas vezes assim coisa sagrada

Koro Bi Eni Lo
Rápido como alguém que parte

Arieri Ewo Ala
A proibição do pássaro branco é o pano branco

Ala Opa Fari
Ele mexe os braços fantasiosamente

Oko Ahotomi
Marido de Ahotomi

Oko Fegbejoloro
Marido de Fegbejoloro

Oko Onikunoro
Marido de Onikunoro

Oko Adapatila
Marido de Adapatila

Soso Li Owuro O Ji Gini Mu Òrún
Bem desperto, ele acorda de manhã já com o arco e flecha no pescoço

Rederede Fe O Ja Kùnle Ki Agbo
Como um louco ele se debate para colocar os joelhos no chão, como o carneiro

Oko Ameri Èru Jeje Oko Ameri
Marido de Ameri que dá mêdo

Ekùn O Bi Awo Fini
Leopardo de pele bonita

Ogbon Iyanu Li Ara Eni Iya Ti Nje
Ele expulsa a infelicidade do corpo de alguém que tem infelicidade

O Wi Be Se Be
Orgulhoso que possui um corpo muito belo

Sakoto Abi Ara Finià
Assim ele diz e assim ele faz

Oríkì à Osàlà

Obanla o rin n'eru ojikutu s'eru. Obà n'ille Ifon alabalase oba patapata n'ille iranje. O yo kelekele o ta mi l'ore. O gba a giri l'owo osika. O fi l'emi asoto l'owo. Oba igbo oluwaiye re e o ke bi owu la. O yi ala. Osun l'ala o fi koko ala rumo. Obà igbo.

Tradução
Rei das roupas brancas que nunca teme a aproximação da morte. Pai do Paraíso eterno dirigente das gerações. Gentilmente alivia o fardo de meus amigos. Dê-me o poder de manifestar a abundância. Revela o mistério da abundância. Pai do bosque sagrado, dono de todas as benções que aumentam minha sabedoria. Eu me faço como as Roupas Brancas. Protetor das roupas brancas eu o saúdo. Pai do Bosque Sagrado.

Oríkì à Osàlà

Kí Òrìsà-nlá Olú àtélesé, a gbénon dídùn là. Ní Ibodè Yìí, Kò Sí Òsán, Bèéni Kò Sí Òru. Kò Sí Òtútù, Bèéni Kò Sí Ooru. Ohun Àsírií Kan Kò Sí Ní Ibodè Yìí. Ohun Gbogbo Dúró Kedere Nínu Ìmólè Olóòrun. Àyànmó Kò Gbó Oògùn. Àkúnlèyàn Òun Ní Àdáyébá. Àdáyébá Ni Àdáyé Se.

Tradução
Que o Grande Òrìsà, Senhor da sola dos pés, guie-nos aos benefícios da riqueza! Aqui é a porta do Céu, nela pode-se entrar de dia e de noite. Nela não há frio, e também não há calor. Aqui, na porta do Céu, nada é segredo. E nela todas as coisas permanecerão claras diante da luz de Deus. Que o destino não nos faça usar remédios. Que as pessoas adorem de joelhos as coisas do Céu, para encontrar coisas boas na Terra. Que as coisas boas sejam sempre encontradas na Terra.

Oríkì à Òrùmìlà
Orunmila Ajana Ifa Olokun A Soro Dayo Eleri Ipin Ibikeji Eledunmare Orunmila Akere Finu Sogban A Gbaye Gborun Olore Mi Ajiki Okitibiri Ti Npa Ojo Iku Da Opitan Ife Orunmila O Jire Loni Tide Tide Orunmila O Jire Loni Bi Olota Ti Ni Nile Aro Ka Mo E Ka
La Ka Mo E Ka Ma Tete Ku Okunrin Dudu Oke Igbeti Orunmila O Jire O Ifa Iwo Ni Ara Iwaju Ifa Iwo Ni Ero Ikehin Ara Iwaju Naa Lo Ko Ero Ikehin L'ogbon Ifa Pele O Okunrin Agbonmiregun Oluwo Agbaye Ifa A Mo Oni Mo Ola A Ri Ihin Ri Ohun Bi Oba Edumare Orunmila Tii Mo Oyun Inu Igbin Ifa Pele O, Erigi A Bo La Ifa Pele O, Okunrin Dudu Oke Igbeti Ifa Pele O, Meretelu Nibi Ti Ojumo Rere Ti Nmo Wa Ifa Pele O, Omo Enire Iwo Ni Eni Nla Mi Olooto Aye Ifa Pele O, Omo Enire Ti Nmu Ara Ogidan Le Oyin Tori Omo Ro O Sa Wo Inu Koko Igi Ede Firifiri Tori Omo Re O Sa Gun Oke Aja Orunmila Ti Ori Mi Fo Ire Orunmila Ta Mi Lore A Gbeni Bi Ori Eni A Je Ju Oogun Lo Ifa O Jire Loni O Ojumo Rere Ni O Mo Ojo Ifa Ojumo Ti O Mo Yi Je Ki O San Mi S'owo Je Ki O San Mi S'omo Ojumo Ti O Mo Yii Je O San Mi Si Aiku Orunmila Iba O O

Tradução
O Testemunho Do Destino O Vice Do Pré-Existente Orunmila, Homem Pequeno, Que Usa O Próprio Interior Como Fonte De Sabedoria Que Vive No Mundo Visível E No Invisível O Meu Benfeitor, A Ser Louvado Pela Manhã O Poderoso Que Protela O Dia Da Morte O Historiador Da Cidade De Ife Orunmila, Você Acordou Bem Hoje? Com Ide Orunmila, Você Acordou Bem Hoje? Da Mesma Forma Que Olota Acorda Na Casa De Aro Assim Louvo Suas Origens
Em Ado Quem O Conhece Está Salvo Quem O Conhece Não Sofrerá Morte Prematura O Homem Baixo Do Morro Igbeti Orunmila, Você Acordou Bem? Ifa, Você É A Pessoa De Frente Ifa, Você É A Pessoa De Trás É Quem Vai Na Frente Que Ensina A Sabedoria Aos Que Vem Atrás Ifa, Saudações O Homem Chamado Agbonmiregun Oluwo Do Universo Ifa, Que Sabe Sobre O Hoje E O Amanhã Que Ve Tudo, Que Está Aqui E Acolá Como Rei Imortal (Edunmaree) Orunmila, Graças A Seus Muitos Conhecimentos, É Você Quem Sabe A Respeito Da Gestação Do Igbin Ifa, Saudações! Erigi A Bo La, Que Ao Ser Venerado, Traz A Sorte Saudações A Ti, Homem Baixo Do Morro Igbeti Ifa, Saudações A Ti, Meretelu De Onde Vem O Sol. De Onde Vem O Melhor Dia Para A Humanidade Ifa, Saudações! Você É O Meu Grande Protetor Aquele Que Diz Aos Homens A Verdade Ifa, Saudações A Ti, Enire! Que Faz Forte O Corpo A Abelha, Por Seu Filho, Correu Para Dentro Da Colmeia O Esperto Rato Ede, Por Seu Filhote, Subiu Ao Forro Da Casa Orunmila, Fale Bem Através Do Meu Ori Orunmila, Me Abençoe Você, Que Como O Ori De Uma Pessoa, Assim A Apóia Cuja Fala É Mais Eficiente Do Que A Magia Você, Que Sabe O Que Acontecerá Hoje E Amanhã Oh Ifa, Você Acordou Bem Hoje? Vem O Dia Com Bom Sol Ifa, Neste Dia Que Surgiu Favoreça-Me Com Prosperidade Favoreça-Me Com Fertilidade Que Este Dia Me Seja Favorável Em Saúde E Bem Estar Que Este Dia Me Seja Favorável Em Longevidade

Esù - Com Tradução a Cada Linha

Iba Esù Odara
Esu Odara, inclino-me.

A Ba Ni Wa Oran Ba O Ri Da
Ele procura briga com alguém e encontra o que fazer.

O San Sokoto Penpe Ti Nse Onibode Olorun
Ele veste uma calça pequena para ser guardião na porta de Deus.

Oba Ni Ile Ketu
Rei da terra de Ketu.

Alakesi Emeren Aji E Aji E M(u) Ògùn
Aquele a quem se convida e que, tão logo acorda, toma um remédio.

A Lun ( se) Wa Se Ibini
Ele reforma Benin.

Laguna Jo Igbo Bi Orò
Laguna queima o mato como oro.

Esù Foli Fò O Fi Ókò Fo Oju Anan Re
Esu arrebenta facilmente os olhos de seus sogros com uma pedra.

LA Nyan Hamana
Ele caminha movendo-se com altivez.

Ika Kò Boro Boro
O malfeitor não morre depressa.

Kò Là Kò Rà O Ba Ona Oja Ile Su
Ele faz com que no mercado nada se compre e nada se venda.

Agbo L Ara A Yaba Má Pa ( Mo) Abemu
Agbo faz com que a mulher do rei não cubra a nudez de seu corpo.

O Se Firi Oko Ero Oja
Ele se torna rapidamente o senhor daqueles que passam pelo mercado.

Bara Fi Imu Fon Awon Sebi Okò L O Si
Quando Bara assoa o nariz, todo mundo acredita que o trem vai partir.

Ero Palemo Wara Wara
Os passageiros preparam-se rapidamente.

Ògùn - Com Tradução a Cada Linha

Osinmoleba
O próximo a Deus

Olomi Nile Fi Eje We
Aquele que tem água em casa, mas prefere banho com sangue

Olaso Ni Le
Aquele que tem roupa em casa

Fi Imo Bora
Mas prefere se cobrir de mariwô

La Ka Ayê
Poderoso do mundo

Moju Re
Eu o saúdo

Ma Je Ki Nri Ija Re
Que eu não depare com sua ira

Iba Ògún
Eu saúdo Ogun

Iba Re Olomi Ni Le Fi Eje We
Eu o saúdo, aquele que tem água em casa,mas prefere banho de sangue

Feje We. Eje Ta Sile. Ki Ilero
Que o sangue caia no chão para que haja paz e tranqüilidade

Ase

Osòsì - Com Tradução a Cada Linha

Òsoosì.
Oxosse !

Awo Òde Ìjà Pìtìpà.
Ó orixá da luta,

Omo Ìyá Ògún Oníré.
irmão de Ògún Onírè.

Òsoosì Gbà Mí O.
Oxosse, me proteja !

Òrìsà A Dínà Má Yà.
Orixá que tendo bloqueado o caminho, não o desimpede.

Ode Tí Nje Orí Eran.
Caçador que come a cabeça dos animais.

Eléwà Òsòòsò.
Orixá que come ewa osooso.

Òrìsà Tí Ngbélé Imò,
Orixá que vive tanto em casa de barro

Gbe Ilé Ewé.
como em casa de folhas.

A Bi Àwò Lóló.
Que possui a pele fresca.

Òsoosì Kì Nwo Igbó,
Oxosse não entra na mata

Kí Igbo Má Aì Tìtì.
sem que ela se agite.

Ofà Ni Mógàfí Ìbon,
Ofà é a arma poderosa que o pai usa em lugar de espingarda.

O Ta Ofà Sí Iná,
Ele atirou a sua flecha contra o fogo,

Iná Kú Pirá.
o fogo se apagou de imediato.

O Tá Ofà Sí Oòrùn,
Atirou sua flecha contra o sol,

Oòrùn Rè Wèsè.
O sol se pos.

Ogbàgbà Tí Ngba Omo Rè.
Ó salvador, que salva seus filhos !

Oní Màríwò Pákó.
Ó senhor do màrìwó pákó !

Ode Bàbá Ò.
Meu pai caçador

O Dé Ojú Ogun,
chegou na guerra,

O Fi Ofà Kan Soso Pa Igba Ènìyàn.
matou duzentas pessoas com uma única flecha.

O Dé Nú Igbó,
Chegou dentro da mata,

O Fi Ofà Kan Soso Pa Igba Eranko.
usou uma única flecha para matar duzentos animais selvagens.

A Wo Eran Pa Sí Ojúbo Ògún Lákayé,
Arrasta um animal vivo até que ele morra e o entrega no ojubo de Ogum.

Má Wo Mí Pa O.
Não me arraste até a morte.

Má Sì Fi Ofà Owo Re Dá Mi Lóró.
Não atire sofrimentos em minha vida, com seu Ofà.

Odè Ò, Odè Ò, Odè Ò,
Ó Odè! Ó Odè! Ó Odè!

Òsoosì Ni Nbá Odè Inú Igbo Jà,
Dentro da mata, é Oxosse que luta ao lado do caçador

Wípé Kí Ó De Igbó Re.
para que ele possa caçar direito.

Òsoosì Oloró Tí Nbá Oba Ségun,
Oxosse, o poderoso, que vence a guerra para o rei.

O Bá Ajé Jà,
Lutou com a feiticeira

O Ségun.
e venceu.

Òsoosì O !
Ó Oxosse,

Má Bà Mi Jà O.
não brigue comigo.

Ogùn Ni O Bá Mi Se O.
Vence as guerras para mim

Bí O Bá Nbò Láti Oko.
Quando voltar da mata,

Kí O Ká Ilá Fún Mi Wá.
Colhe quiabos para mim.

Kí O Re Ìréré Ìdí Rè.
e, ao colhê-los, tire seus talos.

Má Gbàgbé Mi O,
Não se esqueça de mim.

Ode Ò, Bàbá Omo Kí Ngbàgbé Omo.
Ó Odè, um pai não se esquece do filho.

Erinlè - Com Tradução a Cada Linha

Erinlè Aganna àgbò
Ení j'é nímo Ògúnjùbí
Ògúngbolu a bá èrò Òde Kobaye.
Òyò gori ìlú
Oloyè nlá
Arodòdó sé ìgbànú esin
Gbogbo igi gbárijo,
Won fi Ìrokò se baba ninú oko
Gbogbo ilè gbárijo,
Won fi Okítì se baba ninú oko
Gbogbo odò kékéké ti nbe ninú igbó
Ajagusi won gbárijo,
Won fi Erinlè joba ninú omi.
Baba mi lo I'òkun, òkun dáké
O'nlo l'òsà, òsà mì tìtì
Òyó-olá nlo l'òkun,
Òkun mì lègbelègbe omi olólá

Osanyin - Com Tradução a Cada Linha

Agbénigi, Òrómodìe Abidi Sonso
Aquele que vive na arvore e que tem um rabo pontudo como um pinto

Esinsin Abedo Kinnikinni
Aquele que tem o fígado transparente como o da mosca

Kòògo Egbòrò Irin
Aquele que é forte quanto uma barra de ferro

Aképè Nìgbá Ò Ràn Kó Sunwòn
Aquele que é invocado quando as coisas não estão bem

Tíoto Tin, Ó Gbà Aso Òkùnrùn Ta Gìègìè
O esbelto que, quando recebe a roupa da doença, se move como se fosse cair

Elésè Kan Jù Elésè Méjì Lo
O que tem só uma perna e mais poderoso do que tem duas

Aro Abi-oho Lièliè
Fraco que possui um pênis fraco

Ewé Gbogbo Kíki Oògùn
Todas as folhas tem viscosidade que se tornam remédio

Àgbénigi, Èsìsì Kosùn
Agbénigi, o Deus que usa palha

Agogo Nla Se Erpe Agbára
O grande sino de ferro que soa poderosamente

O Gbà Wón Lá Tán, Wón Dúpé Téniténi
A quem as pessoas agradecem sem reservas depois que ele humilha as doenças

Àrònì Já Si Kòtò Di Oògùn Máyà
Àròni que pula no poço com amuletos no peito

Elésè Kan Ti Ó Lé Elésè Méji Sáre.
O homem de uma perna que incita o de duas para correr.

Obaluayê - Com Tradução a Cada Linha

Orìsà Jìngbìnì
Orixá forte

Abàtà, Arú Bí Ewè Ajó
Abatá que floresce exuberante como as folhas da árvore ajó

Orisá Tí Nmú Omo Mú Ìyá
Orixá que pune a mãe juntamente com o filho

Bí Obaluayê Bá Mú Won Tún
Depois que Obaluaê acabar de castigá-los

O Tún Lè Sáré Lo Bábá
Ainda poderá castigar o pai

Orìsà Bí Àjé
Orixá semelhante a uma feiticeira

Obaluayê mo Ilé Osó, Ó Mo Ilé Àjé
Obaluaê conhece tanto a casa do feiticeiro como a da bruxa

O Gbá Osó L'Ójú,
Desafiou o feiticeiro

Osó Kún Fínrínfínrín
E este correu desesperado

O Pa Àjé Ku Ìkan Soso
Matou todas as bruxas permitindo que apenas uma vivesse

Orìsà Jìngbìnì
Orixá forte

Obaluayê A Mú Ni Toùn Toùn
Obaluaê, que faz as pessoas perderem a voz

Obaluayê SSí Odù Re Hàn Mí
Obaluaê, abra seu odu para mim

Kí Ndi Olówó
Para que eu seja uma pessoa próspera

Kí Ndi Olomo
Para que eu seja uma pessoa fértil.

Osumare - Com Tradução a Cada Linha

Osumare A Gbe Orun Li Apa Ira
Osumare permanece no Céu que ele atravessa com o braço

Ile Libi Jin Ojo
Ele faz a chuva cair na terra.

O Pon Iyun Pon Nana
Ele busca os corais, ele busca as contas nana

O Fi Oro Kan Idawo Luku Wo
Com uma palavra ele examina Luku

O Se Li Oju Oba Ne
Ele faz isso perante seu rei

Oluwo Li Awa Rese Mesi Eko Ajaya
Chefe a quem adoramos

Baba Nwa Li Ode Ki Awa Gba Ki
O pai vem ao pátio para que cresçamos e tenhamos vida

A Pupo Bi Orun
Ele é vasto como o céu

Olobi Awa Je Kan Yo
Senhor do Obi, basta a gente comer um deles para ficar satisfeito

O De Igbo Kùn Bi Ojo
Ele chega à floresta e faz barulho como se fosse a chuva

Okó Ijoku Igbo Elu Ko Li Égùn
Esposo de Ijo, a mata de anil não tem espinhos

Okó Ijoku Dudu Oju E A Fi Wo Ran
Esposo de Ijoku, que observa as coisas com seus olhos negro.

Nànà - Com Tradução a Cada Linha

Okiti Kata, Ekùn A Pa Eran Má Ni Yan
Okiti Katala leopardo que mata um animal e o como sem assá-lo.

Olu Gbongbo Ko Sun Ebi Eje
Dono de uma bengala, não dorme e tem sede de sangue.

Gosungosun On Wo Ewu Eje
MSalpicado com Osun, seu traje parece coberto de sangue

KO Pá Eni Ko Je Oka Odun
Ele só poderá comer massa no dia da festa, se tiver matado algúem.

A Ni Esin O Ni Kange
Ele tem o cavalo, ele tem o quizo.

Odo Bara Otolu
Rio

Omi a Dake Je Pa Eni
Água adormecida que mata alguém sem preveni-lo

Omo Opara Ogan Ndanu
Filho de Opara

Sese Iba O

Orixá , respeito

Iba Iye Ni Mo Mo Je Ni Ko Je Ti Aruní
Louvo a vida e não a cabeça

Emi Wa Foribale Fun Sese
Venho prosternar-me diante do Orixá.

Oluidu Pe O papa
Presto homenagem aos ancestrais.

Ele Adie Ko Tuka
Aquele que tem frango, não depena vivo

Yeye Mi Ni Bariba Li Akoko
Minha mãe estava primeiramente em Bariba

Emi Ako Ni Ala Mo Le Gbe Agada
Eu o primeiro a poder usar a espada.

Emi A Wa Kiyà Onile Ki Ile
Venho saudar o dono da terra para que ele me proteja.

Oyà - Com Tradução a Cada Linha

Oyà A To Iwo Efòn Gbé.
Ela é grande o bastante para carrega o chifre do búfalo.

Oyà Olókò Àra.
Oyà, que possui um marido poderoso.

Obìnrin Ogun,
Mulher guerreira.

Obìnrin Ode.
Mulher caçadora.

Oya Òrírì Arójú Bá Oko Kú.
Oyà, a charmosa, que dispõe de coragem para morrer com seu marido.

Iru Èniyàn Wo Ni Oyà Yí N Se, Se?
Que tipo de pessoa é Oyà?

Ibi Oya Wà, Ló Gbiná.
O local onde Oyà está, pega fogo

Obìnrin Wóò Bi Eni Fó Igbá.
Mulher que se quebra ao meio como se fosse uma cabaça

Oyà tí awon òtá rí,
Oyà foi vista por seus inimigos

Tí Won Torí Rè Da Igbá Nù Sì Igbó.
E eles, assustados, fugiram atirando as bagagens no mato

Héèpà Héè, Oya ò!
Eeepa He! Oh, Oyà!

Erù Re Nikan Ni Mo Nbà O.
És a única pessoa que temo

Aféfé Ikú.
Vendaval da Morte

Obìnrin Ogun, Ti Ná Ibon Rè Ní À Ki Kún
A mulher guerreira que carrega sua arma de fogo

Oyà ò, Oyà Tótó Hun!
Oh, Oyà, à Oyà respeito e submissão!

Oyà, A P'Agbá, P'Àwo Mó Ni Kíákíá,
Ela arruma suas coisas sem demora

Kíákíá, Wéré Wéré L' Oyà Nse Ti È
Rapidamente Oyà faz suas coisas

A Rìn Dengbere Bíi Fúlàní.
Ela vagueia com elegância, como se fosse uma nômade fulani

O Titi Tí Nfi Gbogbo Ará Rìn Bí Esin
Quando anda, sua vitalidade é como a do cavalo que trota

Héèpà, Oya Olómo Mesan, Ibá Re Ò!
Eeepa Oya, que tem nove filhos, eu te saúdo!

Obà - Com Tradução a Cada Linha

Obà, Obà, Obà.
Obá, Obá, Obá.

Ojòwú Òrìsà,
Orixá ciumento,

Eketà Aya Sàngó.
terceira esposa de Xangô.

O Torí Owú,
Ela, que por ciumes,

O Kolà Sí Gbogbo Ara.
fez incisões em todo corpo.

Olókìkí Oko.
Que fala muito de seu marido,

A Rìn Lógànjó Pèlú Àwon Ayé.
que anda nas madrugadas com as ayé.

Obà Anísùru, Ají Jewure.
Obá paciente, que come cabrito logo pela manhã.

Obà Kò B'óko Dé Kòso,
Obá não foi com o marido a Koso,

O Dúró, Ó Bá Òsun Rojó Obe.
ficou para discutir com Oxum sobre comida.

Obà Fiyì Fún Apá Oko Rè.
Obá valoriza os braços do marido,

Oní Ó Wun Òun Ju Gbogbo Ará Yókù Lo.
diz que é a parte de seu corpo que ela prefere.

Obà Tó Mo Ohùn Tó Dára.
Obá sabe o que é bom.

Òsun Òpàrà - Com Tradução a Cada Linha

Òsun Òpàrà
Yèyé Òpàrà !

Obìnrin Bí Okùnrin Ní Òsun
Oxum é uma mulher com força masculina.

A Jí Sèrí Bí Ègà.
Sua voz é afinada como o canto do ega.

Yèyé Olomi Tútú.
Graciosa mãe, senhora das águas frescas.

Opàrà Òjò Bíri Kalee.
Opàrà, que ao dançar rodopia como o vento, sem que possamos vê-la.

Agbà Obìnrin Tí Gbogbo Ayé N'pe Sìn.
Senhora plena de sabedoria, que todos veneramos juntos.

Ó Bá Sònpònná Jé Pétékí.
Que como pétékí com Xapanã.

O Bá Alágbára Ranyanga Dìde.
Que enfrenta pessoas poderosas e com sabedoria as acalma.

Òsun Iponda
Oliri Pa Koko Eni Pon
Poderosa, não empurre o povo de Iponda.

O Ri Onise Oba Ayi Kase
Ela recebe o mensageiro do rei sem respeitá-lo

O Je Dandan Oloran
Ela aceita as palavras do queixoso

O Fi Aja Wà Inu Eke Wò
Com sua sineta ela fura o ventre mentiroso.

Omo Olu Igbo Soki Redà Omo Ni
Não se pode carregar debaixo do braço o filho da mata de Iponda.

Òsun Ijumu - Com Tradução a Cada Linha

Osun Ijumu Olodó Ide
Osun Ijumu, dona de um pilão de cobre.

OIya Ijumu Alaiye Ma Gun Odó Poro
Osun Ijumum não monta com vivacidade no pilão

Efon Tere Mò Gun Àiyé
POsun pode surgir subitamente no mundo.

Eyín Fe Ki Efon Ki O Na Mi
Vocês querem que Osun me castigues.

Eyín Fe O Fi Owo Ye Ko Mi Mò Ara
Deixem a criança rodear meu corpo com sua mãos

Owo Omo Ye Ki Dun Eni
A mão da criança é suave

Efon A Ke Ki Dun Enia
Osun é suave.

Efon Li O Ni Igbo Obi
Osun é a dona da floresta de Obi.

Iwo Li O Ni Igbo Atare
A floresta de pimenta pertence a você

Baba Nwa Li Ode Ki Awa Gba Ki
O pai vem ao pátio para que cresçamos e tenhamos vida

Sango - Com Tradução a Cada Linha

Sángiri-làgiri,
Que racha e lasca paredes

Olàgiri-kàkààkà-kí Igba Edun Bò
Ele deixou a parede bem rachada e pôs ali duzentas pedras de raio

O Jajú Mó Ni Kó Tó Pa Ni Je
Ele olha assustadoramente para as pessoas antes de castigá-las

Ó Ké Kàrà, Ké Kòró
Ele fala com todo o corpo

S' Olórò Dí Jínjìnnì
Ele faz com que a pessoa poderosa fique com medo

Eléyinjú Iná
Seus olhos são vermelhos como brasas

Abá Won Jà Mà Jèbi
Aquele que briga com as pessoas sem ser condenado porque nunca briga injustamente

Iwo Ní Mo Sá Di O
É em ti que busco meu refúgio.

Sango Ona Mogba
Bi E Tu Bá Wó Ile
Se um antílope entrar na casa

Jejene Ni Mú Ewure
A cabra sentirá medo.

Bi Sango Bá Wó Ile
Se Sango entra na casa

Jejene Ni Mú Osa Gbogbo
Todos os Orisa sentirão medo.